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Dia da Conscientização sobre o Autismo: Entenda a diferença entre os 3 níveis de TEA

Transtorno afeta 1% da população mundial


O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril, foi criado pela ONU em 2007 com o objetivo promover conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e reduzir o preconceito e a discriminação.

O que é TEA?
O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que se manifesta na infância e pode durar por toda a vida. Ele afeta principalmente a comunicação, a interação social e o comportamento, variando em 3 níveis classificados conforme as dificuldades experimentadas pela pessoa e a necessidade de apoio às atividades diárias.
De acordo com o psiquiatra Dr. Alexandre Bassoli, “compreender os diferentes graus de autismo é fundamental para apoiar adequadamente as pessoas que convivem com esse transtorno e suas famílias. O termo “espectro” é usado porque o autismo não se manifesta de forma única, ele abrange uma gama de características, com variações que podem ser mais sutis ou mais intensas, dependendo do indivíduo.”


Nível 1:
Pessoas geralmente possuem alguma habilidade de comunicação embora enfrentem desafios em interações sociais e na adaptação a novas situações, além de alguma dificuldade em compreender normas sociais implícitas ou expressar suas emoções de maneira apropriada. Essas pessoas requerem algum tipo de suporte para algumas atividades.
Nível 2:
A necessidade de apoio é substancial. As dificuldades são mais evidentes, a comunicação mais limitada e as relações sociais são restritas. Nesse nível também se observa comportamentos repetitivos e restrição nos interesses. A dependência de apoio externo, seja na escola, no trabalho ou em casa, tende a ser maior.
Nível 3:
Existe a necessidade de mais apoio. O autismo é severo e as dificuldades são intensas, especialmente na comunicação. O apoio é necessário de forma contínua mesmo em atividades básicas da vida diária como alimentação e higiene.

Como é o diagnóstico de TEA?
O diagnóstico de TEA acontece principalmente nos primeiros cinco anos de vida. Segundo o médico, o processo envolve uma combinação de observações clínicas, entrevistas e testes, avaliação neuropsicológica e outras ferramentas. “Não existe um exame médico ou teste laboratorial que confirme a presença do TEA. Por isso, o diagnóstico é baseado principalmente na observação do comportamento e no histórico de desenvolvimento.” Explica.

Quais são as causas e tratamentos disponíveis?
O autismo não tem uma causa única; fatores genéticos são predominantes, mas fatores ambientais também podem ter envolvimento.

As intervenções precoces, como terapias comportamentais e programas de treinamento para pais, podem melhorar significativamente a qualidade de vida. O tratamento é personalizado e requer equipe multidisciplinar que pode incluir médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros.
O Dr. Alexandre ressalta que “pacientes com TEA podem sim, evoluir em questões cognitivas e comportamentais quando expostos a estímulos adequados. Estudos mais recentes demonstram que as pessoas com autismo têm grande capacidade de desenvolvimento e aprendizagem, especialmente quando recebem estímulos apropriados, como intervenções terapêuticas multidisciplinares, programas educacionais personalizados, apoio familiar e ambientes que favoreçam o desenvolvimento.”

Incidência e desafios
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 1% da população mundial esteja no espectro autista, com cerca de 70 milhões de pessoas afetadas globalmente.
Infelizmente, o preconceito ainda é uma grande barreira e a luta pela aceitação e pelo respeito continua. O estigma que envolve o TEA pode favorecer o diagnóstico tardio ou equivocado, já que as pessoas tendem a ignorar sinais iniciais, impedindo as devidas intervenções. Pode também afetar a qualidade do tratamento com abordagens incorretas e, especialmente, as relações sociais através do isolamento e exclusão que impedem formação de vínculos, discriminação, falta de oportunidades etc.
A conscientização sobre o TEA, além de promover respeito, é essencial para garantir direitos e apoio adequado às pessoas autistas e suas famílias. O Abril Azul é um mês dedicado a promover a visibilidade sobre o autismo, reforçando a necessidade de uma sociedade mais inclusiva.

Foto: Reprodução

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