quarta-feira, 15 de julho de 2026
Mundo

Homem já resgatou cerca de 6 milhões de abelhas sem usar equipamentos de proteção

Clarence Chua convence moradores a preservar colmeias em vez de exterminá-las e já retirou enxames de locais inusitados, como o motor de um avião

Homem já resgatou cerca de 6 milhões de abelhas sem usar equipamentos de proteção
Homem já resgatou cerca de 6 milhões de abelhas sem usar equipamentos de proteção AquiVale/Imagens

Armado apenas com uma bandana e as próprias mãos, o singapurense Clarence Chua, de 42 anos, dedica os dias a resgatar abelhas. Ele retira as colônias de suas colmeias, coloca os insetos em caixas de madeira e os realoca, muitas vezes para o próprio quintal.

"O que eu gosto nelas é que, se você as respeita e não ameaça a segurança delas, elas ficam totalmente tranquilas com a sua presença bem de perto", afirma Chua.

Quando moradores de Singapura encontram abelhas fazendo colmeias em suas casas, normalmente recorrem a empresas de controle de pragas, capazes de exterminar os ninhos em poucos minutos por valores entre 80 e 150 dólares de Singapura, o equivalente a cerca de 62 a 116 dólares americanos. Chua, no entanto, vem convencendo um número crescente de pessoas a permitir que ele resgate as abelhas em vez de eliminá-las, cobrando entre 100 e 500 dólares de Singapura pelo serviço.

Nos últimos seis anos, ele realocou com segurança uma média de 100 colmeias por ano, o equivalente a cerca de 6 milhões de abelhas salvas. O processo consiste em transportar toda a colônia, preservando a abelha-rainha, as larvas e as operárias, que depois são levadas a um dos três apiários administrados por Chua, sendo um deles instalado no quintal de sua própria casa.

O trabalho já o levou a locais inusitados, como uma pequena casa de culto espiritual dentro de um condomínio e o motor de um avião, que não pôde decolar até que o enxame fosse removido. Segundo Chua, à medida que cresce a conscientização sobre o resgate de abelhas, os conselhos municipais responsáveis pela administração dos conjuntos habitacionais públicos, onde vive quase 80% da população de Singapura, também passaram a contratar seus serviços.

Chua atua ao lado de uma pequena equipe de colegas resgatistas, entre eles Jian Ping, Marie James e Eugene Goh, com quem também promove oficinas de colheita de mel voltadas à comunidade local.

O trabalho, porém, não é livre de riscos. Em uma ocasião, Chua tentou resgatar um enxame que imaginava ser dócil, instalado na sacada de um condomínio, e acabou atacado pelas abelhas. Nos cerca de 30 segundos que levou para soltar o equipamento de segurança e escapar, foi ferroado aproximadamente 100 vezes. "Isso realmente me ensinou a nunca subestimar a natureza", afirmou. Ele conta que ainda hoje costuma se aproximar das colmeias sem roupa de apicultor num primeiro momento, para avaliar o comportamento do enxame antes de vestir o equipamento de proteção, caso perceba sinais de agitação.

Chua também promove o resgate de abelhas nas redes sociais. Vídeos de seu trabalho, alguns gravados em primeira pessoa com óculos inteligentes da Meta, já reuniram cerca de 20 mil seguidores.
"Sem as abelhas, haveria muito menos frutas, ou elas seriam muito mais caras, porque faltariam frutos no mundo. É impressionante a quantidade de culturas agrícolas das quais dependemos para a nossa própria sobrevivência", concluiu.

Comentários (0)

Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu Comentário

Seu e-mail e telefone não serão exibidos publicamente. Campos com * são obrigatórios.