O El Niño já se formou no Oceano Pacífico e deve se intensificar rapidamente entre julho e setembro, elevando o risco de ondas de calor, secas, chuvas intensas e outros eventos climáticos extremos em diferentes regiões do mundo. O alerta foi divulgado nesta sexta-feira (3) pela Organização Meteorológica Mundial, agência da ONU responsável pelo monitoramento climático global.
Segundo a entidade, as projeções dos principais centros meteorológicos internacionais apontam um aquecimento expressivo das águas do Pacífico equatorial, especialmente nas regiões central e leste do oceano. Em algumas áreas usadas para monitorar o fenômeno, a temperatura da superfície do mar pode ficar mais de 2°C acima da média histórica. A convergência entre os modelos aumenta a confiança de que o episódio será classificado como forte, com tendência de intensificação ao longo do segundo semestre e pico entre novembro e fevereiro, afirma a OMM.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que o El Niño já está em curso e deve se fortalecer rapidamente, transformando-se em um evento de forte intensidade. Segundo ela, o fenômeno eleva as chances de secas e chuvas intensas, além de ondas de calor tanto em áreas continentais quanto nos oceanos. A força do episódio, no entanto, depende do quanto o Pacífico equatorial vai aquecer nos próximos meses e de como a atmosfera vai responder a esse aquecimento, já que o oceano mais quente por si só não garante um evento intenso.
A avaliação da entidade é reforçada por outros centros meteorológicos. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA, também confirmou o estabelecimento do El Niño e estima 63% de chance de um episódio muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, o que poderia colocá-lo entre os mais intensos já registrados. A agência americana já emitiu um alerta oficial sobre o fenômeno, monitorando a evolução das temperaturas na região do Pacífico usada como referência internacional.
No Brasil, uma nota técnica conjunta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, do Instituto Nacional de Meteorologia, da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia indica probabilidade superior a 80% de consolidação do fenômeno ao longo do segundo semestre, com possibilidade de persistência até o início de 2027. As instituições alertam para o risco de eventos climáticos extremos e seus impactos em diferentes regiões do país.
Desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño vem influenciando cada vez mais o clima do planeta, que já está mais quente que no passado. Mesmo eventos classificados como fracos ou moderados ocorrem hoje em um contexto de aquecimento global, o que amplia o risco de extremos como secas, enchentes e ondas de calor. O episódio mais recente antes do atual, registrado entre 2023 e 2024, foi um dos mais intensos já observados e esteve associado a novos recordes de temperatura.
O El Niño é um aquecimento fora do padrão normal das águas do Oceano Pacífico próximas à linha do Equador e integra um ciclo climático natural que alterna fases quentes, frias e neutras, com impactos em diversas regiões do planeta. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e modifica o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes áreas do mundo, além de influenciar a temperatura média global, que tende a ficar acima do normal em anos de El Niño mais intenso.
No Brasil, os efeitos do fenômeno costumam ser desiguais entre as regiões. Historicamente, o El Niño provoca aumento de chuvas no Sul, com maior risco de eventos extremos, além de redução das precipitações no Norte e em partes do Nordeste. Sudeste e Centro-Oeste tendem a registrar maior irregularidade nas chuvas, enquanto a frequência de ondas de calor costuma aumentar em diferentes pontos do país, com efeitos mais evidentes esperados a partir da primavera.
Especialistas ressaltam que, apesar da alternância natural entre La Niña, neutralidade e El Niño, o aquecimento global segue sendo o principal fator por trás das mudanças observadas no clima. Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses mantenham temperaturas elevadas em diversas regiões do planeta.
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