Moradores de Paraibuna têm usado as redes sociais para manifestar apoio ao padre Daniel Adão Lopes, pároco da Paróquia Santo Antônio, que passou a ser alvo de um abaixo-assinado entregue ao bispo. O documento pede a retirada do religioso da cidade em razão de seu posicionamento político.
Natural de São José dos Campos, o padre tem 37 anos e foi ordenado presbítero em setembro de 2018. A paróquia integra a Diocese de São José dos Campos, segundo o site da própria diocese.
De acordo com as informações apuradas, o padre fez críticas à extrema direita e alertou para os riscos desse movimento, citando declarações do papa Leão XIV. O pontífice alertou, em 28 de setembro, contra a instrumentalização do cristianismo por grupos políticos de extrema direita e defendeu que a Igreja atue para prevenir o extremismo.
A fala ocorreu durante o voo de volta da França a Roma, quando Leão XIV foi questionado sobre o crescimento de partidos extremistas na Alemanha. Ele afirmou que há manifestações políticas que tentam combinar posições de extrema direita com uma determinada interpretação religiosa.
Segundo o papa, essa associação não representa uma "expressão autêntica do cristianismo". Ele disse ainda que os valores do Evangelho não são os do ódio e da divisão, mas os da compreensão, da compaixão e do acompanhamento.
O pontífice não citou um partido específico em sua resposta. A manifestação do padre teria motivado a reação de parte da comunidade e a coleta de assinaturas.
Em meio à repercussão, circula no facebook uma nota pública de apoio assinada por Lucas Canella. No texto, ele afirma que o padre sofre ataques, difamação e assédio moral por causa de sua posição política. Canella também cita dispositivos legais que, segundo ele, poderiam ser usados pelo religioso, entre eles os artigos 139 (difamação), 140 (injúria) e 141 do Código Penal, que prevê pena em triplo quando crimes contra a honra são cometidos em redes sociais. Menciona ainda trechos da Constituição Federal, como o artigo 5º, que trata do direito de resposta, da indenização por danos morais e da inviolabilidade da honra e da imagem.
Uma internauta se ofereceu para criar o "exército do padre Daniel", nos moldes dos grupos de WhatsApp organizados durante as eleições, e outro usuário compôs uma música em homenagem ao religioso.
Até a publicação deste texto, não havia posicionamento público do bispo sobre o abaixo-assinado. O espaço segue aberto para manifestação do padre Daniel, da Diocese de São José dos Campos e dos autores do documento.
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