Nascido em São José dos Campos em 21 de abril de 1911, Euclides Bueno Miragaia teve papel central na Revolução Constitucionalista de 1932, cujo início é lembrado nesta quinta-feira (9). Ele foi um dos quatro manifestantes mortos a tiros em 23 de maio daquele ano, durante um conflito em frente ao prédio do Partido Popular Paulista, na Praça da República, em São Paulo.
Resolução Aumentada (Foto: Acervo/Governo de SP)
Filho de José Miragaia e Emília Bueno Miragaia, ele havia estudado na Escola de Comércio Carlos de Carvalho e trabalhava como auxiliar no cartório do tio, na capital paulista, quando participou da manifestação que resultou em sua morte, aos 21 anos. As iniciais dos sobrenomes das quatro vítimas, Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Américo de Camargo Andrade, deram origem à sigla MMDC, que se tornou o principal símbolo da resistência paulista contra o governo provisório de Getúlio Vargas e ajudou a mobilizar o movimento que eclodiu poucas semanas depois, em 9 de julho.
Miragaia foi sepultado em São José dos Campos, mas teve seu cadáver transferido posteriormente para o mausoléu do Soldado Constitucionalista, no Parque do Ibirapuera. Seu túmulo original, no cemitério Padre Rodolfo Komorek, foi preservado e estampado com um desenho da bandeira do estado de São Paulo. Uma rua no Centro de São José dos Campos também recebeu seu nome, e a cidade mantém um obelisco em sua memória no Banhado, próximo à rodoviária.
Em 2011, a então presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.430, que inscreveu os nomes de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo no Livro dos Heróis da Pátria, mantido no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília. Pesquisadores da Universidade do Vale do Paraíba (Univap) já se debruçaram sobre a construção da memória de Miragaia na cidade, discutindo até que ponto sua figura se consolidou como herói local ou como símbolo político mobilizado ao longo das décadas.
A Revolução de 1932
A Revolução Constitucionalista teve origem no descontentamento paulista com os rumos do governo de Getúlio Vargas, que chegou ao poder após a Revolução de 1930, com apoio de São Paulo, sob a expectativa de novas eleições para a Constituinte e para a Presidência da República. Ao contrário do esperado, Vargas fechou o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e as Câmaras Municipais, o que levou fazendeiros, estudantes universitários e comerciantes paulistas a organizarem uma forte oposição ao governo provisório.
O levante teve início em 9 de julho de 1932, liderado pelo interventor do estado, Pedro de Toledo, e durou 87 dias de combates, até 4 de outubro daquele ano, com os últimos enfrentamentos ocorrendo dois dias após a rendição paulista. Segundo dados oficiais, o conflito reuniu mais de 200 mil voluntários, entre eles 60 mil combatentes de São Paulo, contra cerca de 100 mil soldados do governo Vargas.
Apesar da derrota militar, o movimento alcançou parte de seus objetivos: a convocação da Assembleia Constituinte, eleita em 3 de maio de 1933, e a promulgação de uma nova Constituição, em 16 de julho de 1934.
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