Celebrado nesta quinta-feira (9), o feriado da Revolução Constitucionalista de 1932 completa 94 anos. O movimento armado, liderado pelo estado de São Paulo em defesa de uma nova Constituição e contra o autoritarismo do Governo Provisório de Getúlio Vargas, foi marcado por batalhas sangrentas que resultaram, oficialmente, na morte de 943 pessoas.
Um dos principais palcos do conflito foi a cidade de Cruzeiro, no interior paulista, a 228 quilômetros da capital e com pouco mais de 74,9 mil habitantes. No município, cerca de 250 pessoas morreram, a maior parte delas no Túnel da Mantiqueira, que liga São Paulo a Minas Gerais entre as cidades de Cruzeiro e Passa Quatro. Até hoje é possível encontrar vestígios da revolução na região, como cápsulas de munição.
Segundo o historiador Diego Amaro, pesquisador da região do Vale do Paraíba, o túnel se tornou um ponto estratégico de confronto por sua localização, próxima também da divisa com o Rio de Janeiro, então capital do país.
"O túnel era de fácil acesso às duas tropas. Era um local estratégico porque você conseguia encurralar seu adversário. Era escuro e fechado. Não tinha para onde fugir", explicou o historiador.
Os combates começaram em 9 de julho, data que se tornou feriado estadual em São Paulo, e se estenderam até 2 de outubro daquele ano, quando as tropas constitucionalistas se renderam. Foi justamente em Cruzeiro que aconteceu a assinatura da rendição do Exército Constitucionalista perante o Exército Federal. Em 2008, uma lei reconheceu oficialmente a cidade como Capital Estadual da Revolução Constitucionalista.
A memória do conflito também passa pelos trilhos da região. A ferrovia histórica que serviu de cenário para batalhas do movimento voltou a operar em julho de 2025, após três décadas desativada. O trem percorre seis quilômetros entre a Estação Ferroviária Central de Cruzeiro e a estação Rufino de Almeida, passando por um túnel e paisagens da região. A revitalização dos trilhos e das estações foi resultado de uma parceria entre a prefeitura da cidade e a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), responsável pela operação e pelos custos do trajeto.
Comentários (0)
Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!
Deixe seu Comentário
Seu e-mail e telefone não serão exibidos publicamente. Campos com * são obrigatórios.