quinta-feira, 9 de julho de 2026
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Cruzeiro, a cidade que foi palco da Revolução de 1932

No interior de São Paulo, Túnel da Mantiqueira guarda vestígios de um dos capítulos mais violentos do movimento que completa 94 anos nesta quinta (9)

Cruzeiro, a cidade que foi palco da Revolução de 1932
Reprodução AquiVale/Imagens

Celebrado nesta quinta-feira (9), o feriado da Revolução Constitucionalista de 1932 completa 94 anos. O movimento armado, liderado pelo estado de São Paulo em defesa de uma nova Constituição e contra o autoritarismo do Governo Provisório de Getúlio Vargas, foi marcado por batalhas sangrentas que resultaram, oficialmente, na morte de 943 pessoas.

Um dos principais palcos do conflito foi a cidade de Cruzeiro, no interior paulista, a 228 quilômetros da capital e com pouco mais de 74,9 mil habitantes. No município, cerca de 250 pessoas morreram, a maior parte delas no Túnel da Mantiqueira, que liga São Paulo a Minas Gerais entre as cidades de Cruzeiro e Passa Quatro. Até hoje é possível encontrar vestígios da revolução na região, como cápsulas de munição.

Segundo o historiador Diego Amaro, pesquisador da região do Vale do Paraíba, o túnel se tornou um ponto estratégico de confronto por sua localização, próxima também da divisa com o Rio de Janeiro, então capital do país.


"O túnel era de fácil acesso às duas tropas. Era um local estratégico porque você conseguia encurralar seu adversário. Era escuro e fechado. Não tinha para onde fugir", explicou o historiador.

Os combates começaram em 9 de julho, data que se tornou feriado estadual em São Paulo, e se estenderam até 2 de outubro daquele ano, quando as tropas constitucionalistas se renderam. Foi justamente em Cruzeiro que aconteceu a assinatura da rendição do Exército Constitucionalista perante o Exército Federal. Em 2008, uma lei reconheceu oficialmente a cidade como Capital Estadual da Revolução Constitucionalista.

A memória do conflito também passa pelos trilhos da região. A ferrovia histórica que serviu de cenário para batalhas do movimento voltou a operar em julho de 2025, após três décadas desativada. O trem percorre seis quilômetros entre a Estação Ferroviária Central de Cruzeiro e a estação Rufino de Almeida, passando por um túnel e paisagens da região. A revitalização dos trilhos e das estações foi resultado de uma parceria entre a prefeitura da cidade e a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), responsável pela operação e pelos custos do trajeto.

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