Um pequeno polvinho de crochê passou a fazer parte da rotina dos bebês internados na UTI neonatal do Hospital Municipal de São José dos Campos. Nesta segunda-feira (31), o Projeto Octo São Paulo entregou cerca de 65 peças à unidade, com o objetivo de oferecer conforto e acolhimento aos recém-nascidos durante o período de internação.
O primeiro bebê a receber o companheiro foi Benicio, que nasceu no dia 19 de agosto e está internado na UTI neonatal.
A entrega foi realizada pelas voluntárias Mari Arlete Cimonari e Sandra Olivan à diretora de enfermagem, Renata Mantovani, e à enfermeira clínica da UTI neonatal, Fernanda Ferrer.
O Projeto Octo São Paulo atua há sete anos na confecção e doação de polvinhos de crochê para bebês internados em unidades neonatais. A iniciativa surgiu na Dinamarca e, posteriormente, se espalhou por diferentes países.
A ideia é que os tentáculos do polvinho proporcionem aos recém-nascidos uma sensação semelhante a algumas experiências do período em que ainda estavam no útero. Segundo as voluntárias, o formato também pode ajudar a evitar que os bebês segurem ou puxem, de forma involuntária, fios, sondas e cateteres utilizados durante o tratamento.
“Cada polvinho é feito pensando naquele bebê que está passando por um momento delicado. Não é apenas uma peça de crochê. É uma forma de transmitir carinho, segurança e acolhimento para a criança e também para a família”, explicou Mari.
Para Sandra, o trabalho voluntário transforma o crochê em um gesto de cuidado para as famílias que enfrentam um período delicado durante a internação dos recém-nascidos.
A UTI neonatal do Hospital Municipal é mantida pela Prefeitura de São José dos Campos e gerenciada pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).
Benefícios observados
Embora o uso dos polvinhos não tenha comprovação científica formal dos benefícios clínicos que trazem, profissionais que acompanham a iniciativa relatam percepções positivas relacionadas ao conforto e à tranquilidade dos recém-nascidos.
O formato do brinquedo pode proporcionar uma sensação de aconchego semelhante àquela vivenciada no útero materno. Os tentáculos também remetem ao cordão umbilical e podem oferecer ao bebê algo seguro para pegar, ajudando a reduzir a manipulação de fios, sondas e cateteres.
“O polvinho representa uma possibilidade de oferecer conforto e acolhimento ao bebê em um ambiente que, naturalmente, é muito diferente daquele que ele vivenciava dentro do útero”, destaca Renata. “É uma iniciativa que agrega humanização ao cuidado.”
Segundo Mari Arlete, profissionais que acompanham o projeto em outras unidades testemunham que os bebês podem apresentar maior tranquilidade e estabilidade durante o uso do polvinho. “Esses relatos, no entanto, são observacionais e não devem ser interpretados como comprovação de efeito clínico”, completa.
Segurança
O Projeto Octo segue regras específicas para garantir a segurança e a higiene dos brinquedos. Produzidas por uma equipe de 26 voluntárias, eles são confeccionados com fibra siliconada antialérgica e não possuem peças coladas. Os detalhes são bordados para reduzir o risco de desprendimento de componentes.
Cada polvinho pertence ao bebê que o utiliza e pode ser levado pela família para casa após a alta hospitalar. Durante a permanência na unidade, a recomendação é que a peça seja higienizada em autoclave a cada sete dias ou sempre que houver necessidade, seguindo os protocolos estabelecidos pelo serviço.
Fotos: SPDM
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