domingo, 16 de agosto de 2026
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Produtos de limpeza comuns podem intoxicar cães e gatos; veja os riscos

Entre os produtos que exigem maior atenção estão aqueles que contêm hipocloritos, presentes em águas sanitárias e alvejantes

Produtos de limpeza comuns podem intoxicar cães e gatos; veja os riscos

Produtos de limpeza usados no dia a dia podem causar intoxicações em cães e gatos e, dependendo da substância e da forma de exposição, provocar alergias, queimaduras, problemas respiratórios e até levar o animal à morte. O alerta é de especialistas ouvidos pelo Metrópoles, que chamam atenção para o uso de produtos com hipoclorito, amônia, soda cáustica, ácidos e compostos fenólicos, entre outros.

De acordo com Maria Inez Auad Moutinho, conselheira federal e coordenadora do Comitê de Apoio à Cadeia Produtiva de Insumos Químicos (CAIQ) do Conselho Federal de Química (CFQ), nenhum produto pode ser considerado totalmente livre de riscos para os animais, mesmo aqueles comercializados como “pet friendly”, “naturais” ou “biodegradáveis”. A segurança depende da concentração, da quantidade utilizada, da forma de aplicação, do tempo de contato, da ventilação e da necessidade de enxágue.

Entre os produtos que exigem maior atenção estão aqueles que contêm hipocloritos, presentes em águas sanitárias e alvejantes; amônia; compostos fenólicos, encontrados em algumas formulações de creolina; formaldeído; soda cáustica; álcool isopropílico; ácidos; além de determinados desentupidores e detergentes catiônicos, como os que possuem cloreto de benzalcônio e cloreto de benzetônio.

O perigo não ocorre somente quando o animal ingere diretamente o produto. Segundo o médico-veterinário Fernando Resende, professor do Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos (Uniceplac), cães e gatos também podem ser intoxicados pela inalação de vapores ou pelo contato da substância com a pele, olhos e mucosas.

Uma situação comum acontece depois da limpeza do chão. O pet pode caminhar sobre o piso ainda molhado e, posteriormente, lamber as patas, ingerindo resíduos do produto. O risco também aumenta quando o tutor utiliza uma concentração maior do que a recomendada, mantém o animal no ambiente durante a aplicação ou permite que ele volte ao local antes da secagem completa.

Outro cuidado fundamental é não misturar produtos de limpeza. Segundo Maria Inez, a combinação de hipoclorito com ácidos pode liberar gás cloro, enquanto a mistura com amônia pode formar cloraminas. Diferentes desinfetantes também podem reagir entre si e liberar vapores irritantes. A orientação é utilizar um produto por vez e seguir as instruções indicadas no rótulo.

Na hora de comprar um produto, o tutor deve observar informações como princípio ativo, componentes de importância toxicológica, concentração, diluição recomendada, tempo de ação, necessidade de enxágue e precauções de uso. Também é importante manter o produto na embalagem original. Segundo Resende, conhecer o princípio ativo pode ser essencial para orientar o atendimento veterinário em caso de intoxicação.

A médica-veterinária Rafaela Barbosa, do Centro Universitário de Brasília (Ceub), também alerta para a ideia de que quanto mais forte for o cheiro de limpeza ou maior for a quantidade de produto utilizada, melhor será a higienização. Para os pets, porém, esse excesso pode aumentar o risco de intoxicação.

Entre os sinais que podem indicar intoxicação estão salivação excessiva, vômitos, tremores, dificuldade para respirar, apatia e irritação nos olhos ou na pele. Em caso de suspeita, Rafaela orienta que o tutor não provoque o vômito e não ofereça leite ou outros alimentos como tratamento caseiro. O animal deve ser levado a um médico-veterinário o quanto antes para receber o atendimento adequado.

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