domingo, 11 de outubro de 2026
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Por que cães grandes vivem menos que os pequenos? Estudo aponta possível explicação

Pesquisa com 864 cães identificou alterações no DNA associadas ao envelhecimento mais acelerado em animais de grande porte, mas os cientistas ainda investigam como esse mecanismo funciona.

Por que cães grandes vivem menos que os pequenos? Estudo aponta possível explicação
Foto: Reprodução

Cães de raças grandes costumam envelhecer mais rápido e viver menos do que os de pequeno porte. Um estudo publicado na revista científica Science identificou alterações no DNA que podem ajudar a explicar essa diferença.

Os pesquisadores analisaram o material genético de 864 cães que participam do Dog Aging Project, iniciativa dedicada ao estudo do envelhecimento canino. Os resultados apontaram que determinadas mudanças relacionadas à idade ocorrem mais rapidamente nos animais maiores, especialmente em regiões ligadas ao funcionamento do sistema imunológico.

A pesquisa se concentrou nos chamados “genes saltadores”, trechos do DNA capazes de fazer cópias de si mesmos e ocupar outras posições no material genético. Normalmente, a atividade desses elementos é controlada por mecanismos químicos. Com o envelhecimento, porém, parte desse controle pode ser perdida.

O que acontece no DNA dos cães?

Um dos mecanismos analisados pelos cientistas é a metilação do DNA, processo químico que ajuda a regular a atividade dos genes sem alterar a sequência genética.

O estudo identificou alterações relacionadas a esse processo em regiões associadas aos elementos genéticos chamados LINE1. Nas raças gigantes, a perda de marcas químicas que ajudam a controlar esses trechos ocorreu, em média, 35% mais rápido por ano do que nas raças pequenas.

Quando esse controle diminui, os genes saltadores podem se tornar mais ativos e provocar alterações no material genético. Esse tipo de atividade já foi associado, em outras pesquisas, ao envelhecimento e a doenças como o câncer.

Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que ainda não é possível afirmar que essas alterações sejam a causa direta da menor longevidade dos cães grandes. Elas também podem ser uma consequência de outros processos relacionados ao envelhecimento.

“Embora saibamos que os cães de grande porte vivem menos do que os cães menores, ainda não sabemos exatamente por quê”, afirmou ao g1 Noah Snyder-Mackler, autor sênior do estudo e professor da Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos.

Por que o tamanho influencia a longevidade?

A diferença entre cães grandes e pequenos chama a atenção porque, quando são comparadas espécies diferentes, animais maiores geralmente vivem mais do que os menores. Baleias, por exemplo, podem alcançar uma longevidade muito superior à de pequenos mamíferos.

Entre os cães, no entanto, ocorre o contrário: os animais de grande porte tendem a crescer mais rapidamente, envelhecer antes e ter uma expectativa de vida menor.

O estudo também identificou diferenças entre machos e fêmeas em regiões do cromossomo X, mas os cientistas afirmam que ainda são necessárias novas pesquisas para entender a influência dessas alterações no envelhecimento.

Os autores esperam que a descoberta ajude a esclarecer os mecanismos que determinam a longevidade dos cães e contribua para pesquisas sobre o envelhecimento em outros mamíferos, incluindo os seres humanos.

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