O incêndio que atingiu laboratórios da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na noite de quarta-feira (7), destruiu dados acumulados ao longo de cerca de 20 anos de pesquisas científicas. O fogo também comprometeu aproximadamente 80 dissertações de mestrado e teses de doutorado que estavam em andamento na instituição.
A dimensão das perdas levou a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) a divulgar uma nota conjunta na quinta-feira (8). As entidades classificaram os danos como irreparáveis para a ciência brasileira e cobraram uma investigação rápida e transparente sobre as causas do incêndio.
As chamas atingiram laboratórios de genética, fármacos e informática, destruindo equipamentos, materiais e registros produzidos durante anos de trabalho. Segundo o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, o prejuízo é estimado em R$ 100 milhões.
Pesquisas e trabalhos acadêmicos foram afetados
A destruição dos laboratórios representa uma perda que vai além dos danos à estrutura física e aos equipamentos. Os espaços abrigavam grupos de pesquisa que desenvolviam experimentos e estudos científicos, parte deles registrados em materiais e arquivos atingidos pelo fogo.
Entre os trabalhos afetados estão cerca de 80 dissertações de mestrado e teses de doutorado em andamento. A destruição dos registros pode dificultar a continuidade desses estudos e obrigar pesquisadores a refazer etapas do trabalho, quando houver condições para isso.
Na manifestação conjunta, a ABC e a SBPC expressaram solidariedade a professores, pesquisadores e estudantes atingidos pelo incêndio. As instituições ressaltaram a importância do material perdido para o desenvolvimento científico e defenderam o esclarecimento das circunstâncias do caso.
A nota foi assinada por Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências, e Francilene Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
Polícia Federal investiga o incêndio
A Polícia Federal foi acionada para investigar as causas do incêndio, que ainda não foram esclarecidas. De acordo com a universidade, ninguém ficou ferido.
O Corpo de Bombeiros atuou no combate às chamas, que se espalharam pelo prédio onde funcionavam os laboratórios.
O caso também chamou a atenção por ser o terceiro incêndio registrado em instalações da UFPE em menos de duas semanas.
Em 30 de setembro, o fogo atingiu o Laboratório de Óptica Não-Linear, ligado ao Departamento de Física. Já no domingo (4), outro incêndio ocorreu no Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Nos dois episódios anteriores, as chamas ficaram restritas às salas atingidas.
Após o incêndio de quarta-feira, as entidades científicas manifestaram preocupação com a sequência de ocorrências e reforçaram a necessidade de apurar os fatos com rapidez e transparência.
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