Enquanto algumas pessoas conseguem tomar café à noite e dormir normalmente, outras podem passar horas acordadas depois de apenas uma xícara. A diferença na resposta à cafeína está relacionada a uma combinação de fatores, incluindo genética, metabolismo, medicamentos e hábitos.
Um dos principais envolvidos nesse processo é o CYP1A2, gene relacionado à produção de uma enzima do fígado responsável por metabolizar grande parte da cafeína. Variações genéticas podem influenciar a atividade dessa enzima e fazer com que algumas pessoas eliminem a substância mais rapidamente do que outras.
A velocidade de metabolização, porém, não depende apenas da genética. Fumar, usar anticoncepcionais hormonais e outros fatores podem alterar a permanência da cafeína no organismo. Estudos farmacocinéticos mostram que o tabagismo acelera a eliminação da substância, enquanto o uso de anticoncepcionais orais tende a prolongar sua permanência no corpo.
Por que o café tira o sono?
A cafeína não fornece energia ao organismo da mesma maneira que os nutrientes dos alimentos. Seu principal efeito está no sistema nervoso central.
Ao longo do dia, uma substância chamada adenosina se acumula no cérebro e participa da sensação de sonolência. A cafeína bloqueia os receptores aos quais a adenosina se liga. Com isso, a sensação de cansaço é temporariamente reduzida e a pessoa pode se sentir mais alerta.
É justamente por esse mecanismo que o efeito pode continuar mesmo quando a pessoa já não percebe claramente a presença da cafeína.
Café à tarde pode atrapalhar o sono?
Sim. O efeito depende da quantidade consumida e da sensibilidade individual.
Um estudo clínico publicado na revista Sleep avaliou diferentes doses e horários de consumo e constatou que 400 mg de cafeína podem prejudicar o sono quando consumidos até 12 horas antes de dormir, com efeitos mais intensos quanto mais próximo do horário de descanso. A pesquisa também mostrou que doses menores tiveram impacto significativamente menor.
Por isso, a recomendação de evitar café nas horas que antecedem o sono pode ser especialmente importante para pessoas mais sensíveis à cafeína. Não existe, porém, um horário único que funcione da mesma forma para todo mundo.
A quantidade também faz diferença. A FDA considera que, para a maioria dos adultos, o consumo de até 400 mg de cafeína por dia não costuma estar associado a efeitos negativos, embora a sensibilidade varie de pessoa para pessoa.
Assim, aquela diferença entre quem toma café depois do jantar e dorme normalmente e quem passa a noite acordado pode ter uma explicação biológica. Genética, dose, horário de consumo e outros fatores do organismo ajudam a determinar quanto tempo a cafeína permanece ativa e o impacto que ela terá no sono.
Comentários (0)
Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!
Deixe seu Comentário
Seu e-mail e telefone não serão exibidos publicamente. Campos com * são obrigatórios.