A Lojas Cem segue um caminho diferente de boa parte das grandes varejistas brasileiras. Enquanto empresas como a Casas Bahia enfrentam dificuldades financeiras e reduzem sua presença física, a rede mantém uma estratégia construída há décadas: lojas físicas, atendimento presencial e crediário próprio.
A diferença chama atenção justamente em um momento em que o comércio brasileiro passou por uma forte transformação. O avanço dos marketplaces, das compras por aplicativos e das operações de e-commerce fez com que grandes redes reduzissem estruturas físicas ou concentrassem esforços no ambiente digital.
A Lojas Cem, porém, não seguiu esse movimento. A empresa não possui uma operação tradicional de comércio eletrônico e mantém suas vendas concentradas nas lojas. A rede chegou a 312 unidades em 2026, segundo informações divulgadas pela própria companhia.
O modelo também passa pelo crédito. Em vez de depender exclusivamente de financeiras ou bancos parceiros, a Lojas Cem trabalha com crediário próprio, uma estratégia que acompanha a empresa desde sua expansão e que continua sendo parte importante da relação com os consumidores.
O contraste fica mais evidente diante da situação da Casas Bahia. A varejista anunciou o fechamento de centenas de lojas como parte de um processo de reestruturação em meio a uma dívida bilionária e dificuldades financeiras.
A comparação, no entanto, não significa que exista uma fórmula única para o varejo. As duas empresas atuam em escalas, mercados e estruturas diferentes. O que chama atenção é justamente a diferença de escolhas: enquanto uma tenta reduzir sua estrutura física para atravessar um período de crise, a outra continua apostando em um formato que muitos concorrentes passaram anos tentando deixar para trás.
Nos comentários de uma publicação sobre a Lojas Cem, essa relação com o modelo tradicional também aparece entre funcionários e ex-funcionários. Há relatos de pessoas com mais de uma década de empresa e elogios ao atendimento, ao crediário e à estabilidade. Outros comentários defendem justamente a importância das lojas físicas diante do avanço das compras online.
No fim, a trajetória da Lojas Cem levanta uma questão que vai além da própria empresa: em um varejo cada vez mais digital, ainda existe espaço para um modelo baseado na loja física, no contato pessoal e no crédito oferecido pela própria rede?
A resposta da Lojas Cem, até aqui, parece ser sim. Resta saber por quanto tempo esse modelo continuará funcionando em um mercado que segue mudando rapidamente.
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