Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, condenados pela morte de Isabella Nardoni, podem voltar à prisão. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) começou a julgar nesta quinta-feira (27) um recurso que questiona o cumprimento das regras impostas ao casal no regime aberto.
Os dois estão em liberdade após conseguirem a progressão de regime. Anna Carolina Jatobá passou ao regime aberto em 2023, enquanto Alexandre Nardoni obteve o benefício em 2024. Atualmente, ambos cumprem pena em liberdade e vivem na capital paulista.
O recurso analisado pelo STJ foi apresentado por uma associação que questiona o cumprimento das condições estabelecidas pela Justiça para a permanência do casal no regime aberto. A entidade afirma ter reunido mais de 2 mil assinaturas em um abaixo-assinado que pede o retorno dos dois à prisão.
Enquanto o caso não é concluído, Alexandre e Anna Carolina seguem em liberdade.
Caso Isabella Nardoni
Isabella Nardoni tinha cinco anos quando morreu, em 2008, após ser jogada da janela do sexto andar do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo.
Segundo a acusação, a menina foi agredida dentro do apartamento antes de ser lançada pela janela. Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá sempre negaram participação no crime e sustentaram que uma terceira pessoa teria entrado no imóvel e cometido o assassinato.
Em março de 2010, Alexandre foi condenado a 31 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado. Anna Carolina recebeu pena de 26 anos de reclusão pelo mesmo crime.
Passagem por Tremembé
O casal cumpriu parte das penas no Complexo Penitenciário de Tremembé, no Vale do Paraíba, que ficou conhecido nacionalmente como o “presídio dos famosos” por receber condenados envolvidos em crimes de grande repercussão.
Alexandre Nardoni ficou na Penitenciária 2 (P2) de Tremembé. Em 2019, passou para o regime semiaberto e começou a ter direito às saídas temporárias. Em maio de 2024, conseguiu a progressão para o regime aberto, deixando a prisão após cerca de 16 anos.
Anna Carolina Jatobá cumpriu pena na Penitenciária 1 feminina (P1). Ela passou ao regime semiaberto em 2017 e conseguiu a progressão para o regime aberto em junho de 2023, após cerca de 15 anos presa.
No regime aberto, os condenados cumprem a pena fora da prisão, mas precisam seguir condições determinadas pela Justiça. No caso de Alexandre, entre as regras estavam permanecer em casa durante o período noturno, comprovar ocupação lícita e não mudar de residência ou de comarca sem autorização judicial.
A análise do STJ ocorre em meio a mudanças no sistema prisional de Tremembé. O governo de São Paulo decidiu alterar o perfil da P2, que deve passar a receber exclusivamente presos do regime semiaberto. Os detentos transferidos da unidade terão como destino a Penitenciária 2 de Potim, também no Vale do Paraíba.
Durante anos, Tremembé recebeu condenados de casos que ganharam repercussão nacional, como Suzane von Richthofen, Daniel e Cristian Cravinhos, Elize Matsunaga, o ex-jogador Robinho e o empresário Thiago Brennand.
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