sábado, 29 de agosto de 2026
POLÍTICA

Justiça manda Renan Santos remover vídeos com ofensas a indígenas

Decisão liminar dá prazo de 5 dias para exclusão de conteúdos considerados discriminatórios contra povos do Baixo Tapajós

Justiça manda Renan Santos remover vídeos com ofensas a indígenas

A Justiça Federal do Pará determinou nesta semana que o candidato à Presidência da República, Renan Santos (Missão), e a sua organização MBL (Movimento Brasil Livre) removam de suas redes sociais vídeos com declarações ofensivas direcionadas aos povos indígenas do Baixo Tapajós.

A controvérsia teve origem em publicações veiculadas no Instagram durante ocupações indígenas no terminal portuário da empresa Cargill, em Santarém. De acordo com a denúncia, Renan Santos usou as redes para fazer ofensas contra 14 etnias da região.

Nas publicações, Renan Santos chamou manifestantes indígenas de “vagabundos”, “picaretas” e “malandros”, e afirmando que vivem de “mamata” governamental.

As publicações também ridicularizavam traços físicos dos manifestantes e questionavam a legitimidade do pertencimento étnico das comunidades locais: “acabar com essa farra de qualquer um falar que é índio, falar que qualquer região aqui é reserva indígena”.

Perícias técnicas anexadas ao processo confirmaram a autenticidade dos vídeos e ressaltaram que as declarações ultrapassaram o debate sobre obras de infraestrutura regional e a livre crítica política. Renan terá o prazo de 5 dias para o cumprimento da medida, sob pena de multa diária de R$ 5.000.

Em vídeo publicado em 19 de agosto, o candidato se defendeu das acusações e atacou o MPF e ONGs. "É bom que eles sigam fazendo essas brincadeiras agora porque essa farra vai acabar. Tanto pro Ministério Público quanto pra ONG vagabunda quanto pra supostas tribos indígenas que têm como negócio a sabotagem do Brasil. Vamos investigar todas as ONGs que colocam dinheiro nesse tipo de sabotagem, que usam povos originários, quilombolas como um instrumento pra ser um porrete contra o desenvolvimento do Brasil", disse.

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