terça-feira, 27 de outubro de 2026
política

Eduardo Cury chama Lula de “eleito ilegítimo”, prevê crise e promete oposição na Câmara

Deputado federal eleito por São José dos Campos afirmou, em vídeo, que governo adotou medidas ilegais antes da votação; ressalvou que a avaliação é sua opinião

Eduardo Cury chama Lula de “eleito ilegítimo”, prevê crise e promete oposição na Câmara
Foto: Reprodução

O deputado federal eleito Eduardo Cury (PL), ex-prefeito de São José dos Campos, classificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como "eleito ilegítimo" em vídeo divulgado nas redes sociais nesta segunda-feira (26), um dia após o segundo turno. Ao fazer a afirmação, ele ressalvou que se tratava de sua opinião. Cury também previu anos difíceis para o país e prometeu atuar contra aumento de impostos na Câmara.

Segundo o parlamentar, o resultado é motivo de tristeza não apenas para o campo político dele, mas para os brasileiros que trabalham e esperam o cumprimento das regras. Cury disse que parte do eleitorado queria uma alternância de poder depois de 20 anos de governos do PT, independentemente do apoio a Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado.

O deputado chamou a disputa de "absolutamente anormal". Afirmou que pesquisas divulgadas aos sábados, incluindo Datafolha e Quaest, apontavam vitória de Flávio, e acusou Lula de adotar, nas semanas anteriores à votação, medidas ilegais. Entre elas, estariam a distribuição de recursos públicos e a criação de programas sem previsão orçamentária. Cury disse que as ações teriam ocorrido com aval do Judiciário e que um prefeito ou governador que fizesse o mesmo poderia ficar inelegível ou ser preso. Ele não apresentou provas no vídeo.

Cury sustentou ainda que uma alternância permitiria a responsabilização de pessoas ligadas ao Executivo, ao Legislativo e ao Judiciário por supostos crimes ainda não descobertos, e que isso teria levado esses grupos a tentar evitá-la. A declaração é uma avaliação política do parlamentar, sem indicação de nomes ou casos específicos.

Apesar das críticas, o deputado afirmou que milhões de brasileiros votaram em Lula de forma consciente e rejeitou a divisão do país entre Norte e Sul. Segundo ele, há eleitores do Nordeste que não votaram no PT e eleitores do Sul que apoiam o partido. Cury reconheceu, porém, que uma parcela teria votado sem informação adequada e sido "enganada" pelo presidente.

Para os próximos anos, o deputado previu duas possibilidades: Lula descumprirá promessas de campanha, o que ele chamou de estelionato eleitoral, ou o país enfrentará uma grave crise econômica. Cury recomendou que os eleitores contrários ao governo protejam suas famílias e disse não serem responsáveis pelo resultado. Ele afirmou que vai "para a luta" no parlamento, contra aumento de impostos e contra medidas do governo que considerar prejudiciais.

Resultado e contexto

Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 de Flávio, ou 48,21%. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou ter "absoluta segurança" em todo o processo eleitoral. Flávio chegou a anunciar que pediria a anulação do pleito, mas desistiu da iniciativa menos de 24 horas depois e passou a mirar uma ação por abuso de poder contra a chapa de Lula.

Cury foi eleito deputado federal em 2014 e reeleito em 2018. Seu novo mandato começa em 1º de fevereiro de 2027. Até a publicação deste texto, não havia manifestação do PT ou do governo federal sobre as declarações do parlamentar.

Comentários (0)

Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu Comentário

Seu e-mail e telefone não serão exibidos publicamente. Campos com * são obrigatórios.