A mãe de João Vítor, ex-ministro da Eucaristia da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na zona sul de São José dos Campos, afirmou que o filho “parece que foi possuído por um espírito ruim” ao comentar as declarações ofensivas feitas por ele em um vídeo que repercutiu nas redes sociais após as eleições de domingo (25).
Em um pronunciamento direcionado a integrantes da comunidade católica, ela pediu desculpas em nome da família, disse sentir vergonha da atitude do filho e reconheceu que ele precisa arcar com as consequências do que falou.
“Eu me envergonho do que ele fez, mas jamais eu consigo me envergonhar dele, porque eu sei quem ele é e Deus também sabe”, declarou.
Ao comentar o conteúdo da gravação, a mãe afirmou que teve dificuldade para reconhecer o filho nas imagens. “Eu nem consegui enxergar ele naquele vídeo, para mim ele foi possuído ali por um espírito ruim”, disse.
Ela também alegou que João Vítor convive com pessoas dos grupos que foram alvo das ofensas. Segundo ela, a família do marido é negra, a família da namorada é nordestina e ele tem amigos negros. A mulher mencionou ainda que tem uma irmã que se casou recentemente com outra mulher.
Apesar de destacar essas relações, ela afirmou que não pretendia justificar as declarações. “Ele foi infeliz no que ele fez. Ele vai pagar e precisa”, disse.
Mãe diz que filho vai arcar com consequências
Durante o pronunciamento, a mãe afirmou que o vídeo teria sido publicado inicialmente em um grupo restrito de amigos e disse que o filho também teria sido vítima de uma pessoa em quem confiava. Ela, no entanto, reconheceu que ele deverá responder pelas próprias declarações.
“Ele vai pagar as consequências dentro da igreja. E talvez fora dela. Eu não sei o que vai acontecer”, afirmou.
A mulher também pediu orações pela família e disse estar emocionalmente abalada com a repercussão do caso. No pronunciamento, informou que pretende se afastar das atividades que exerce na paróquia, mas ressaltou que continuará frequentando as missas.
Ao final, ela reconheceu que as declarações do filho atingiram diferentes grupos e afirmou respeitar as pessoas que se sentiram ofendidas.
Caso repercutiu nas redes sociais
O vídeo mostra João Vítor ao lado de Cristiano Gomes fazendo declarações ofensivas contra eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pessoas negras, pobres, nordestinas e integrantes da comunidade LGBTQIA+, além de praticantes de religiões de matriz africana.
Após a repercussão, a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro confirmou que João Vítor deixou de exercer o cargo de ministro da Eucaristia e outras atividades na comunidade. Em nota de repúdio, a instituição afirmou ser contrária a condutas que violem os princípios cristãos de respeito, dignidade humana, fraternidade e responsabilidade.
A paróquia também ressaltou que comportamentos individuais incompatíveis com esses princípios não representam os valores e ensinamentos da comunidade religiosa.
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