Novos diálogos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, vieram a público poucas horas antes da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa nesta terça-feira (15) a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
As conversas mencionam pessoas próximas a três integrantes da Corte: os filhos dos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques e um advogado ligado ao ministro André Mendonça, relator do caso que envolve Vorcaro. O conteúdo passou a circular depois que os dados do aparelho foram encaminhados aos gabinetes dos ministros.
Segundo as informações divulgadas pelo UOL, um dos diálogos envolve Kevin Marques, filho de Kassio Nunes Marques. Em uma conversa com Vorcaro, o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, menciona pagamentos de R$ 500 mil mensais ao advogado. Em outubro de 2024, Rennó também teria encaminhado uma planilha com o nome e o telefone de Kevin, acompanhada da expressão “Dominado aqui”.
A defesa de Kevin Marques nega que ele tenha mantido vínculo direto com o Banco Master. Segundo a versão apresentada pelo advogado, ele teria recebido R$ 281,6 mil da empresa Consult Inteligência Tributária por serviços relacionados à área tributária. A empresa, por sua vez, teria recebido R$ 6,6 milhões do Banco Master em um período de um ano.
As mensagens também fazem referência a Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux. Os registros indicam contatos frequentes com Vorcaro e conversas sobre encontros e benefícios, incluindo convites para camarotes durante o Carnaval.
Outro nome que aparece no material é o do advogado Ciro Soares, apontado como próximo de André Mendonça. Em conversas com Vorcaro, há registros de comemorações relacionadas a decisões favoráveis tomadas pelo Supremo.
Apesar das referências, o conteúdo divulgado não comprova, por si só, a existência de pagamentos ilícitos ou de qualquer atuação irregular dos ministros ou de seus familiares. As mensagens, no entanto, ampliam o debate sobre a rede de relações estabelecida por Vorcaro com pessoas próximas a integrantes do Judiciário.
Julgamento ocorre em meio à crise no STF
A divulgação dos novos diálogos ocorre poucas horas antes de o plenário do STF analisar o relatório produzido a partir das informações extraídas do celular de Vorcaro. A sessão está marcada para as 10h desta terça-feira.
O caso envolve 187 interações identificadas pela Polícia Federal entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro. O material é usado como base para o pedido de abertura de uma investigação sobre a relação entre os dois.
A discussão, entretanto, está longe de ser consensual dentro da Corte. Ministros aliados de Moraes defendem o arquivamento ou o adiamento da análise, enquanto a Procuradoria-Geral da República questiona a validade do relatório apresentado por Mendonça.
Na segunda-feira (14), os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin receberam cópias integrais dos dados extraídos de um dos celulares de Vorcaro. A medida permitiu que os magistrados tivessem acesso ao material bruto e não apenas aos trechos selecionados no relatório da Polícia Federal.
A defesa de Vorcaro já havia pedido ao presidente do STF, Edson Fachin, que informações pessoais encontradas no aparelho fossem filtradas antes da divulgação dos dados. Os advogados argumentaram que o conteúdo inclui informações sobre familiares e comunicações protegidas pelo sigilo profissional.
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