sábado, 12 de setembro de 2026
MUNDO

Estudo publicado nos anos 60 aponta 13 de novembro de 2026 como “dia do fim do mundo”

Cálculo matemático feito em 1960 projetava que a população mundial chegaria a um ponto de crescimento infinito nesta data

Estudo publicado nos anos 60 aponta 13 de novembro de 2026 como “dia do fim do mundo”
Foto: Reprodução

Uma data específica voltou a chamar atenção nas redes sociais: 13 de novembro de 2026. O dia aparece no título de um estudo científico publicado há 66 anos e passou a ser associado a uma suposta previsão de que o mundo chegaria ao fim ainda neste ano.

A história, porém, é bem diferente — embora o estudo realmente exista e a data esteja, de fato, registrada em uma publicação da revista Science.

O trabalho foi publicado em 4 de novembro de 1960 pelos pesquisadores Heinz von Foerster, Patricia M. Mora e Lawrence W. Amiot. O título era provocativo: “Doomsday: Friday, 13 November, A.D. 2026”, algo como “Dia do Juízo Final: sexta-feira, 13 de novembro de 2026”.

O estudo analisava o crescimento da população humana ao longo de aproximadamente dois milênios. A partir dos dados históricos disponíveis naquela época, os pesquisadores construíram um modelo matemático que descrevia um crescimento cada vez mais acelerado da população.

Ao prolongar matematicamente aquela tendência para o futuro, a curva chegaria a uma singularidade em 13 de novembro de 2026.

Na prática, isso significa que, dentro daquele modelo, a população tenderia ao infinito em um determinado momento. Não significava que bilhões de pessoas desapareceriam ou que a Terra seria destruída naquela sexta-feira.

O próprio título “Doomsday” foi uma escolha deliberadamente provocativa dos autores. Estudos posteriores descrevem a previsão como uma discussão “tongue-in-cheek”, ou seja, feita com um tom irônico e provocativo, justamente para chamar atenção para as consequências de uma expansão populacional sem limites.

A população realmente chegou ao infinito?

Não. E esse é justamente o ponto central para entender por que a previsão não deve ser interpretada como uma profecia.

O modelo dependia da manutenção de uma determinada tendência de crescimento populacional. Só que as condições demográficas do planeta mudaram.

A taxa de crescimento da população mundial atingiu seu pico na década de 1970 e posteriormente entrou em desaceleração. Esse processo está relacionado à chamada transição demográfica, fenômeno marcado, entre outros fatores, pela redução das taxas de fecundidade em diferentes regiões do mundo.

Ou seja: a equação de 1960 não “errou” necessariamente dentro de sua própria lógica matemática. O que mudou foram as condições do mundo real sobre as quais aquela projeção estava baseada.

Então o mundo não acaba em 13 de novembro?

Não existe evidência científica de que o mundo acabará nessa data. O que existe é uma projeção matemática feita há mais de seis décadas, baseada em um cenário hipotético de crescimento populacional contínuo.

A data ganhou força novamente justamente porque estamos nos aproximando do momento indicado pelo cálculo original. Em 2026, o estudo voltou a circular nas redes sociais e até pesquisadores estão retomando o tema para discutir o significado daquela antiga projeção.

O Complexity Science Hub, em Viena, por exemplo, programou uma conferência para 12 e 13 de novembro de 2026 em referência ao artigo publicado em 1960.

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