domingo, 6 de setembro de 2026
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Tendência entre jovens evita banho para atrair mulheres por "feromônios"

Chamada de "pheromone-maxxing", a prática promete aumentar a atração por meio do odor corporal natural, mas cientistas afirmam que não há comprovação de que humanos tenham feromônios de atração

Tendência entre jovens evita banho para atrair mulheres por "feromônios"
Reprodução

Uma nova tendência que circula no TikTok está levando alguns homens da geração Z, em sua grande maioria jovens, a abandonar hábitos básicos de higiene antes de encontros amorosos. Chamada de "pheromone-maxxing" (algo como "maximizar os feromônios", em tradução livre), a prática consiste em evitar o banho e o desodorante e, em alguns casos, usar roupas já utilizadas e impregnadas de suor, na tentativa de tornar o cheiro natural do corpo mais atraente para possíveis parceiras.

A tendência é apontada como uma ramificação do chamado "looksmaxxing", movimento mais amplo que reúne estratégias voltadas a aumentar a atratividade física por meio de cuidados com a aparência, exercícios físicos e, em casos mais extremos, procedimentos estéticos. O "pheromone-maxxing" vem circulando no TikTok como um desdobramento desse universo, um passo a mais dentro da mesma lógica de otimizar a aparência para conquistar parceiras. Em vez de mascarar o odor corporal com desodorante ou perfume, os adeptos acreditam que o cheiro natural seria capaz de desencadear uma resposta biológica de atração em parceiras em potencial.

Alguns participantes vão além de apenas evitar banho e desodorante. Parte deles chega a vestir camisas sem lavar ou até beber a própria urina, na crença de que isso ajudaria a "suar toxinas" para fora do corpo. O criador de conteúdo americano Demir Basceri, conhecido como "cookiekinggg", é apontado como um dos nomes associados à prática. Ele afirma ficar três dias sem tomar banho antes de um encontro e, no dia marcado, toma banho e depois veste novamente a mesma camisa usada, na tentativa de criar o que descreve como um "efeito halo de feromônios".

Apesar da repercussão nas redes sociais, a base científica da tendência é considerada frágil por especialistas. Feromônios são sinais químicos capazes de provocar respostas comportamentais ou fisiológicas entre indivíduos da mesma espécie, e sua existência é bem documentada em diversas espécies animais, sobretudo insetos. O problema está em outro ponto: embora compostos químicos presentes no odor corporal humano possam transmitir informações como estado emocional, condição de saúde, idade e diversidade genética, a ciência ainda não estabeleceu uma relação comprovada entre feromônios e atração romântica em humanos.

Pesquisadores já identificaram que odores corporais humanos podem provocar efeitos fisiológicos e psicológicos mensuráveis em outras pessoas, mas nunca conseguiram isolar um feromônio humano específico nem comprovar uma resposta comportamental consistente ligada a esse tipo de sinal químico. Ou seja, o efeito de atração descrito pelos adeptos da tendência não tem, até o momento, respaldo científico consolidado.

Diante disso, uma parcela dos jovens que aderiu à tendência opta por uma versão mais moderada da prática. Em vez de evitar completamente o banho, eles tomam banho normalmente, mas deixam de lavar o cabelo e de usar desodorante ou perfume antes dos encontros.

O "pheromone-maxxing" integra um conjunto mais amplo de tendências voltadas a jovens do sexo masculino que prometem atalhos biológicos para o sucesso amoroso, um fenômeno que especialistas associam menos a evidências científicas e mais à busca, por parte da geração Z, por conselhos rápidos em meio à insegurança gerada pelas redes sociais em torno de aparência e relacionamentos.

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