Uma nova tendência que circula no TikTok está levando alguns homens da geração Z, em sua grande maioria jovens, a abandonar hábitos básicos de higiene antes de encontros amorosos. Chamada de "pheromone-maxxing" (algo como "maximizar os feromônios", em tradução livre), a prática consiste em evitar o banho e o desodorante e, em alguns casos, usar roupas já utilizadas e impregnadas de suor, na tentativa de tornar o cheiro natural do corpo mais atraente para possíveis parceiras.
A tendência é apontada como uma ramificação do chamado "looksmaxxing", movimento mais amplo que reúne estratégias voltadas a aumentar a atratividade física por meio de cuidados com a aparência, exercícios físicos e, em casos mais extremos, procedimentos estéticos. O "pheromone-maxxing" vem circulando no TikTok como um desdobramento desse universo, um passo a mais dentro da mesma lógica de otimizar a aparência para conquistar parceiras. Em vez de mascarar o odor corporal com desodorante ou perfume, os adeptos acreditam que o cheiro natural seria capaz de desencadear uma resposta biológica de atração em parceiras em potencial.
Alguns participantes vão além de apenas evitar banho e desodorante. Parte deles chega a vestir camisas sem lavar ou até beber a própria urina, na crença de que isso ajudaria a "suar toxinas" para fora do corpo. O criador de conteúdo americano Demir Basceri, conhecido como "cookiekinggg", é apontado como um dos nomes associados à prática. Ele afirma ficar três dias sem tomar banho antes de um encontro e, no dia marcado, toma banho e depois veste novamente a mesma camisa usada, na tentativa de criar o que descreve como um "efeito halo de feromônios".
Apesar da repercussão nas redes sociais, a base científica da tendência é considerada frágil por especialistas. Feromônios são sinais químicos capazes de provocar respostas comportamentais ou fisiológicas entre indivíduos da mesma espécie, e sua existência é bem documentada em diversas espécies animais, sobretudo insetos. O problema está em outro ponto: embora compostos químicos presentes no odor corporal humano possam transmitir informações como estado emocional, condição de saúde, idade e diversidade genética, a ciência ainda não estabeleceu uma relação comprovada entre feromônios e atração romântica em humanos.
Pesquisadores já identificaram que odores corporais humanos podem provocar efeitos fisiológicos e psicológicos mensuráveis em outras pessoas, mas nunca conseguiram isolar um feromônio humano específico nem comprovar uma resposta comportamental consistente ligada a esse tipo de sinal químico. Ou seja, o efeito de atração descrito pelos adeptos da tendência não tem, até o momento, respaldo científico consolidado.
Diante disso, uma parcela dos jovens que aderiu à tendência opta por uma versão mais moderada da prática. Em vez de evitar completamente o banho, eles tomam banho normalmente, mas deixam de lavar o cabelo e de usar desodorante ou perfume antes dos encontros.
O "pheromone-maxxing" integra um conjunto mais amplo de tendências voltadas a jovens do sexo masculino que prometem atalhos biológicos para o sucesso amoroso, um fenômeno que especialistas associam menos a evidências científicas e mais à busca, por parte da geração Z, por conselhos rápidos em meio à insegurança gerada pelas redes sociais em torno de aparência e relacionamentos.
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