domingo, 6 de setembro de 2026
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“Baratas paramédicas” são aposta da ciência para resgates em locais de difícil acesso

Insetos equipados com câmeras e dispositivos médicos podem, no futuro, ajudar vítimas presas em escombros, cavernas e outras áreas onde equipes de socorro não conseguem chegar

“Baratas paramédicas” são aposta da ciência para resgates em locais de difícil acesso

Uma tecnologia inusitada desenvolvida por pesquisadores australianos pode abrir uma nova possibilidade para operações de busca e resgate: baratas ciborgues capazes de transportar equipamentos e auxiliar no atendimento de pessoas presas em locais de difícil acesso. A proposta é utilizar os insetos em situações como desabamentos, terremotos e outros desastres, quando a entrada de equipes de emergência pode representar riscos ou simplesmente ser inviável.

Batizados de “Paraborgs”, os insetos foram desenvolvidos por pesquisadores da Universidade de Queensland, em parceria com a Universidade de Nova Gales do Sul. As baratas gigantes escavadoras do norte de Queensland recebem uma estrutura eletrônica removível que permite controlar seus movimentos à distância.

O equipamento pode ser adaptado para diferentes funções. Algumas baratas carregam câmeras, permitindo que os operadores tenham uma visão do ambiente, enquanto outras podem transportar dispositivos de injeção em miniatura para fornecer assistência médica emergencial sob supervisão humana.

A escolha dos insetos não é apenas curiosa. Segundo os pesquisadores, as baratas apresentam características que ainda são difíceis de reproduzir em pequenos robôs, como agilidade para atravessar terrenos complexos, resistência e baixo consumo de energia. O tamanho da espécie utilizada também permite transportar equipamentos relativamente maiores.

A ideia é aproveitar justamente aquilo que esses animais fazem naturalmente: passar por espaços estreitos, superar obstáculos e se movimentar em terrenos onde máquinas convencionais podem encontrar dificuldades.

Nos primeiros testes, os pesquisadores conseguiram resultados que indicam viabilidade para a tecnologia. Os Paraborgs apresentaram 95% de sucesso em aplicações de injeção quando posicionados a até 15 centímetros do alvo. Considerando todo o processo, desde a navegação até o posicionamento e a aplicação, o índice de sucesso foi de 72%.

Apesar dos resultados, a tecnologia ainda está em fase experimental. Os cientistas apontam que são necessários novos testes para verificar o comportamento dos insetos em ambientes reais, especialmente diante de obstáculos, estruturas instáveis e possíveis perdas de sinal dentro de construções destruídas. A segurança da aplicação dos medicamentos também precisa ser aprimorada.

Resgate sem substituir equipes humanas

A proposta não é substituir bombeiros, médicos ou equipes especializadas. O objetivo é ampliar o alcance do socorro em situações nas quais os profissionais ainda não conseguem chegar fisicamente até uma vítima.

A visão de longo prazo dos pesquisadores é criar grupos de insetos ciborgues com funções diferentes. Enquanto alguns poderiam carregar câmeras e sensores para localizar pessoas, outros poderiam transportar equipamentos médicos ou desempenhar tarefas específicas durante o resgate.

Segundo a Universidade de Queensland, a expectativa dos pesquisadores é que, caso os estudos e os testes de campo avancem, equipes de insetos ciborgues possam ser utilizadas em situações reais dentro de cinco a dez anos.

Por enquanto, as “baratas paramédicas” permanecem nos laboratórios, mas a pesquisa mostra como a ciência tem buscado soluções cada vez mais diferentes para um problema antigo: como levar ajuda a quem está em um lugar onde o ser humano não consegue chegar.

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