Uma pesquisa com participação de cientistas brasileiros estuda o potencial de um combustível produzido a partir de lixo urbano, esgoto e dejetos de animais que poderia atender a cerca de 25% da demanda mundial por gás natural.
O combustível é o biometano, produzido a partir da decomposição de matéria orgânica. Segundo o estudo Waste to Wheels: turning organic waste into renewable fuel for transport, o potencial global de produção chega a aproximadamente 1 trilhão de metros cúbicos por ano.
A pesquisa foi financiada pelo MBCBrasil (Mobilidade de Baixo Carbono para o Brasil) e reúne pesquisadores de instituições como USP, Universidade Federal de Itajubá (Unifei), Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e Instituto Mauá de Tecnologia.
O Brasil aparece como um dos países com maior potencial para ampliar a produção de biometano por causa da grande quantidade de resíduos gerados pela agropecuária e pela indústria.
Somente os resíduos da indústria da cana-de-açúcar poderiam gerar cerca de 41,4 bilhões de metros cúbicos de biometano. Atualmente, apenas uma pequena parcela desse potencial é aproveitada.
Além de transformar resíduos em combustível, o biometano pode ser utilizado em veículos e em outras aplicações que hoje dependem do gás natural.
De acordo com o estudo, a substituição de combustíveis fósseis pelo biometano pode reduzir em até 75% as emissões de CO₂ associadas à cadeia de produção.
No transporte de cargas, os pesquisadores também apontam potencial de redução de custos. No Brasil, o custo estimado por quilômetro rodado com biometano é de US$ 1,73, enquanto o diesel chega a US$ 1,87.
O estudo também destaca que países como Estados Unidos, Índia e integrantes da União Europeia já ampliam o uso do biometano e do gás natural renovável, indicando um mercado em expansão para esse tipo de combustível.
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