Depois de 28 anos longe de casa, o britânico Karl Bushby, de 57 anos, finalmente concluiu uma jornada que parecia impossível. Nesta segunda-feira (2), ele chegou a Hull, cidade onde nasceu, no nordeste da Inglaterra, e foi recebido por centenas de pessoas. Um dos momentos mais emocionantes foi o reencontro com a mãe, Angela, após quase três décadas.
A aventura começou em novembro de 1998, quando Karl tinha 29 anos. Ex-paraquedista do Exército britânico, ele embarcou em um avião rumo a Punta Arenas, no Chile, com apenas US$ 500 no bolso. Seu objetivo era voltar caminhando até a Inglaterra, sem utilizar nenhum meio de transporte motorizado.
A ideia surgiu durante uma conversa com amigos militares, que duvidavam da possibilidade de atravessar a pé o Estreito de Bering, entre o Alasca e a Rússia. Karl decidiu provar que era possível. O desafio, porém, acabou se transformando em uma expedição muito maior do que imaginava.
Uma jornada por quatro continentes
Ao longo do percurso, o aventureiro percorreu aproximadamente 50 mil quilômetros e passou por 29 países, atravessando as Américas, a Ásia e a Europa.
Os primeiros oito anos foram dedicados à travessia das Américas. Partindo do extremo sul do Chile, ele cruzou a América do Sul, a América Central e a América do Norte.
Em 2006, enfrentou um dos trechos mais difíceis: o Estreito de Bering. Para chegar à Rússia, caminhou sobre placas de gelo e enfrentou águas congelantes.
A passagem pela Ásia levou outros 18 anos. Em 2024, Karl nadou cerca de 300 quilômetros pelo Mar Cáspio até chegar ao Azerbaijão. No ano seguinte, alcançou a Europa ao atravessar o Estreito de Bósforo, em Istambul, na Turquia.
Em outubro de 2026, realizou a última grande travessia: nadou pelo Canal da Mancha para chegar ao Reino Unido e completar o caminho de volta.
Desafios e ajuda pelo caminho
Nem tudo aconteceu como planejado. Problemas com vistos, doenças, falta de dinheiro, condições climáticas extremas e a pandemia de Covid-19 provocaram interrupções ao longo dos anos.
Com um carrinho onde transportava equipamentos e itens básicos de sobrevivência, Karl contou muitas vezes com a solidariedade de desconhecidos, que ofereceram comida, abrigo e apoio. Com o tempo, também recebeu doações para conseguir seguir viagem.
Ao falar sobre sua capacidade de enfrentar o desafio, o britânico disse que não se considera uma pessoa especial, mas sempre acreditou que conseguiria realizar o que havia proposto.
O reencontro com a família
A chegada aconteceu na Queen Victoria Square, em Hull, onde centenas de pessoas se reuniram para celebrar o retorno. A prefeita da cidade, Maria Coward, também participou da recepção.
Além de rever a mãe, Karl espera recuperar o tempo ao lado do filho e conhecer melhor a neta, que já tem 12 anos.
Quando deixou a Inglaterra, em 1998, a famosa roda-gigante London Eye, em Londres, ainda nem existia. Agora, depois de praticamente metade da vida dedicada à aventura, ele pretende ficar perto da família, procurar um emprego e deixar as grandes expedições para trás.
A reta final da viagem foi acompanhada pelo cineasta Werner Herzog, que prepara um documentário chamado Walk of Life.
Mas a maior descoberta de Karl talvez não tenha sido um lugar ou uma paisagem. Ao refletir sobre tudo o que viveu, ele destacou a bondade das pessoas que encontrou em diferentes partes do planeta.
“Em 99% das vezes, encontrei o que há de melhor na humanidade. Em todas as culturas, em todos os países”, afirmou.
Depois de percorrer o mundo a pé, Karl Bushby voltou para casa com uma conclusão simples: o mundo é extraordinariamente bom.
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