terça-feira, 20 de outubro de 2026
ciência

Astrônomos identificam primeira estrela verde e descobrem como ela adquiriu a cor

Anã branca localizada a cerca de 280 anos-luz da Terra ganhou tonalidade verde-amarelada após absorver fragmentos rochosos de antigos planetas, segundo estudo.

Astrônomos identificam primeira estrela verde e descobrem como ela adquiriu a cor
Foto: Reprodução

Astrônomos identificaram a primeira estrela conhecida com aparência verde. Batizada de WD J1330+6435, ela é uma anã branca localizada a cerca de 280 anos-luz da Terra, na constelação de Draco, e apresenta uma tonalidade entre o verde e o amarelo. A cor incomum está relacionada à composição química de sua atmosfera, alterada pela absorção de detritos rochosos de antigos corpos planetários.

A descoberta foi descrita em um estudo publicado em 15 de outubro na revista científica RAS Techniques and Instruments. A pesquisa foi liderada por Mark Hollands, astrofísico da Universidade de Warwick, no Reino Unido, e analisou as cores de 151 anãs brancas a partir de seus espectros de luz e de modelos que simulam como elas seriam percebidas pelo olho humano.

O que faz a estrela parecer verde?

A tonalidade da maioria das estrelas está relacionada principalmente à temperatura de sua superfície. As mais frias tendem a apresentar tons alaranjados ou avermelhados, enquanto as mais quentes podem parecer azuladas. O Sol e estrelas com temperaturas semelhantes são percebidos como brancos.

No caso da WD J1330+6435, porém, a cor é influenciada pela composição química de sua atmosfera. Segundo os pesquisadores, fragmentos de material planetário caíram sobre a estrela e enriqueceram suas camadas externas com elementos como cálcio, lítio e, principalmente, sódio.

A densidade extrema da anã branca altera a forma como os átomos de sódio interagem com a luz. Em vez de absorver apenas uma faixa estreita de luz alaranjada, como acontece em condições comuns, o elemento passa a absorver uma faixa mais ampla, que inclui tons de amarelo, laranja e parte do vermelho.

Com menos luz dessas cores chegando ao observador, o resultado é uma aparência verde-limão. De acordo com os cientistas, esse mecanismo não produziria o mesmo efeito em estrelas semelhantes ao Sol.

O que é uma anã branca?

Uma anã branca é o núcleo remanescente de uma estrela de massa baixa ou intermediária que esgotou seu combustível nuclear e expeliu suas camadas externas. Esse processo deixa para trás um objeto extremamente compacto, que continua liberando o calor acumulado ao longo de sua evolução.

Em geral, uma anã branca concentra aproximadamente metade da massa do Sol em um volume comparável ao da Terra. Essa densidade elevada influencia diretamente as condições físicas de sua atmosfera e, como mostra a descoberta, também pode alterar a maneira como sua luz é percebida.

A presença de elementos associados a detritos planetários indica que material de um antigo sistema planetário foi absorvido pela estrela. Esse tipo de evidência ajuda os astrônomos a investigar a composição de corpos que existiram ao redor de estrelas antes de elas chegarem a essa fase de evolução.

Outras anãs brancas também apresentam cores incomuns

A estrela verde não foi a única a chamar a atenção dos pesquisadores. O estudo também identificou uma anã branca chamada WD J1011+2845, localizada a cerca de 48 anos-luz da Terra, que pode apresentar uma das tonalidades mais avermelhadas já identificadas em uma estrela, semelhante ao rosa-salmão.

Nesse caso, a coloração está associada ao carbono presente nas camadas externas do astro. Os pesquisadores observaram que a composição atmosférica pode fazer anãs brancas apresentarem diferentes cores, incluindo tons rosados, roxos, amarelos e azulados.

Apesar dessas variações, o branco continua sendo a aparência predominante entre as estrelas analisadas. A descoberta da WD J1330+6435 amplia o conhecimento sobre a diversidade desses objetos e mostra como a composição química, além da temperatura, pode influenciar as cores observadas no Universo.

Comentários (0)

Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu Comentário

Seu e-mail e telefone não serão exibidos publicamente. Campos com * são obrigatórios.