Aos 121 anos, uma moradora de Itaperuna, no interior do estado do Rio de Janeiro, acaba de entrar para a história da longevidade no Brasil. Deolira Glicéria Pedro da Silva foi reconhecida oficialmente pelo RankBrasil como a mulher mais velha do país, após a comprovação de sua idade por meio de documentos oficiais.
Deolira nasceu em 10 de março de 1905, em Porciúncula, também no interior do Rio de Janeiro. A certidão de nascimento registra que ela nasceu às 10h e é filha de Ana Cândida da Silva. O documento, no entanto, só foi registrado oficialmente em 1977.
A comprovação da idade exigiu uma verdadeira busca documental. Parte dos registros originais da idosa foi perdida durante uma enchente em Porciúncula. A família precisou recorrer a cartórios e também contou com o apoio da Igreja para recuperar e validar documentos antigos, incluindo a certidão de batismo.
Para conceder o reconhecimento, o RankBrasil analisou documentos como a certidão de nascimento atualizada e o último extrato do benefício do INSS, utilizados como provas de longevidade e de vida. O certificado foi entregue no fim de agosto, oficializando Deolira como a mulher mais velha do Brasil dentro dos critérios da organização.
Nascida mais de uma década antes da primeira transmissão de rádio no Brasil, Deolira atravessou acontecimentos que marcaram profundamente a história mundial. Ao longo de mais de um século, acompanhou duas guerras mundiais, a gripe espanhola, a construção de Brasília e transformações tecnológicas que levaram da chegada da televisão à popularização da internet.
Atualmente, ela vive em Itaperuna, onde mora há cerca de cinco anos. A família reúne três filhos, 20 netos, 40 bisnetos e 37 tataranetos, segundo informações divulgadas sobre a recordista.
Apesar da idade extraordinária, a rotina de Deolira é descrita pelos familiares como simples e marcada pela fé. Entre as curiosidades, está uma preferência alimentar pouco convencional para uma pessoa de sua idade: segundo a neta Dorotea Ferreira, ela gosta especialmente de coxinha e guaraná.
Próximo desafio pode ser o recorde mundial
O reconhecimento brasileiro é apenas uma etapa. O geriatra Juair de Abreu Pereira, que acompanha Deolira, reúne documentos e informações para tentar comprovar a idade também junto ao Guinness World Records.
Caso a documentação seja validada internacionalmente, a brasileira poderá entrar na disputa pelo título de pessoa mais velha do mundo. Atualmente, o Guinness reconhece a britânica Ethel Caterham como a pessoa viva mais velha, aos 116 anos, segundo as informações divulgadas sobre o caso.
A eventual validação, porém, depende de critérios próprios do Guinness, que são diferentes dos utilizados pelo RankBrasil. Por isso, o título nacional já foi concedido, mas o reconhecimento mundial ainda não está confirmado.
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