A erosão marinha tem reduzido a faixa de areia em trechos do litoral de Caraguatatuba e provocado danos à infraestrutura próxima às praias. O problema é registrado em áreas como Mococa e Massaguaçu, onde ressacas já atingiram estruturas da orla. A situação foi discutida em uma reunião entre representantes da Prefeitura, da Universidade de São Paulo (USP) e da Associação Caraguatás Ambiental, realizada em 8 de outubro.
A erosão costeira ocorre quando uma praia perde mais sedimentos do que recebe, fazendo com que a faixa de areia diminua ou mude de posição. O processo pode ser influenciado pela ação das ondas e das correntes marítimas, por ressacas, pela elevação do nível do mar e por intervenções humanas na costa.
Em Caraguatatuba, os efeitos vão além da redução do espaço disponível para os banhistas. Na Praia de Massaguaçu, ressacas já danificaram trechos do acostamento e do calçadão, levando à preocupação com a segurança de pedestres e motoristas na rodovia Rio-Santos. Na Mococa, episódios de avanço do mar também atingiram a faixa de areia e áreas próximas aos quiosques.
A Praia Martim de Sá também está entre os locais avaliados em levantamentos sobre a vulnerabilidade costeira do município. A extensão das perdas de areia, porém, varia conforme o trecho analisado e precisa ser confirmada nos dados específicos do estudo apresentado neste mês.
USP discute soluções para o litoral
A reunião de 8 de outubro abordou os impactos da erosão marinha, da ocupação urbana desordenada e das mudanças climáticas sobre a costa de Caraguatatuba.
Uma das iniciativas apresentadas foi a criação do Centro para Soluções Costeiras, proposta do Instituto Oceanográfico da USP com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid).
A proposta é aproximar pesquisadores e gestores públicos para desenvolver alternativas aos problemas costeiros. Entre as possibilidades estão soluções baseadas na natureza, que buscam recuperar ambientes naturais e contribuir para a proteção da faixa litorânea.
Segundo Eduardo Siegle, diretor do Instituto Oceanográfico da USP e especialista em dinâmica costeira, o objetivo é transformar o conhecimento científico em soluções que possam ser aplicadas pelos municípios.
O prefeito Mateus Silva afirmou que a administração municipal apoia a iniciativa e destacou a importância de pesquisas e do monitoramento das praias para orientar o planejamento urbano e a preservação ambiental.
O encontro também contou com a participação de representantes das secretarias municipais de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, Urbanismo e Serviços Públicos.
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