sábado, 18 de julho de 2026
Tecnologia

Tecnologia imersiva ensina cuidadores a compreender limitações de idosos

Plataforma de realidade virtual desenvolvida pela Front Porch mostrou aumento de 95% na compreensão das dificuldades de adultos mais velhos com perda auditiva e visual

Tecnologia imersiva ensina cuidadores a compreender limitações de idosos
Tecnologia imersiva ensina cuidadores a compreender limitações de idosos AquiVale/Imagens

Uma organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos está usando realidade virtual para treinar cuidadores de idosos, colocando-os na perspectiva de quem enfrenta os desafios do envelhecimento. A iniciativa é da Front Porch, entidade com 20 anos de atuação nas áreas de habitação acessível, inovação em serviços e inclusão digital, desenvolvida em parceria com a empresa Embodied Labs.

A plataforma oferece uma biblioteca de cursos, disponíveis em inglês e espanhol, que simulam condições como demência, perda auditiva, perda visual e transições de cuidado, dando ao cuidador uma perspectiva em primeira pessoa das situações vividas pelos pacientes. Os resultados do programa mostraram aumento de 95% na compreensão das dificuldades de adultos mais velhos com perda auditiva e visual.

Além da realidade virtual, a organização investe em robôs terapêuticos e sistemas de monitoramento remoto. Para Davis Park, vice-presidente de transformação da Front Porch, essas ferramentas existem para um fim específico. "O objetivo de implementar sensores ou robótica é lidar com tarefas mecânicas, repetitivas ou estressantes, para que os cuidadores tenham mais tempo para conexões humanas genuínas", afirma.

Um dos exemplos é o PARO, uma foca animatrônica usada principalmente com pessoas com demência. Segundo Park, a interação com o dispositivo reduz a agitação e a ansiedade em idosos com declínio cognitivo, proporcionando também uma pausa para os cuidadores. Os residentes das unidades da Front Porch passavam em média 25 minutos engajados com o robô, tempo suficiente para que os profissionais descansassem ou gerenciassem outras tarefas. "Os robôs foram usados até mesmo no lugar de medicamentos psicotrópicos", acrescenta.

Em uma das unidades da organização, em Santa Bárbara, na Califórnia, dois robôs circulam pelo salão de jantar entregando refeições quentes. Os pratos são distribuídos pelos atendentes humanos, mas o transporte fica a cargo das máquinas, que também interagem com os residentes cantando músicas e desviando de obstáculos de forma autônoma.

Park defende ainda que a telessaúde e o monitoramento remoto de pacientes devem se tornar ferramentas essenciais nos próximos anos. Para ele, rastrear sinais vitais como pressão arterial, peso e glicemia, além de checar a adesão a medicamentos, permite antecipar problemas e reduzir internações. A ressalva, porém, se mantém: suporte e treinamento humano, diz ele, não são negociáveis.

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