terça-feira, 14 de julho de 2026
Crime

Técnica de enfermagem que tentou sequestrar recém-nascida fingia estar grávida e mantinha quarto de bebê pronto, diz polícia

Defesa afirma que investigada apresenta sintomas esquizofrênicos. Polícia Civil diz que, até o momento, não há elementos que afastem a responsabilidade criminal da suspeita.

Técnica de enfermagem que tentou sequestrar recém-nascida fingia estar grávida e mantinha quarto de bebê pronto, diz polícia
Reprodução AquiVale/Imagens

A técnica de enfermagem presa preventivamente por suspeita de tentar sequestrar uma recém-nascida na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina (PI), fingia estar grávida e mantinha um quarto preparado para receber um bebê. A informação foi confirmada pela Polícia Civil, que investiga o caso.

Durante as diligências, os investigadores encontraram na residência da suspeita um quarto montado com berço, banheira, fraldas, mamadeiras e roupas infantis. Segundo a polícia, familiares afirmaram que acreditavam que ela estava grávida, apesar de nunca terem visto exames ou documentos que comprovassem a gestação.



"Todos os parentes disseram que acreditavam que ela estava grávida. Apesar de, em retrospectiva, ela não ter mostrado nenhum exame ou nada do tipo", afirmou um dos investigadores.


Como aconteceu

Segundo a Polícia Civil, a técnica de enfermagem estava de folga no dia do crime, mas entrou normalmente na maternidade. Ela abordou a mãe da bebê, uma adolescente de 14 anos, e informou que levaria a recém-nascida para realizar exames de rotina.

A funcionária deixou o quarto com a criança e não retornou. A demora despertou a desconfiança da tia da bebê, que decidiu segui-la pelos corredores da maternidade.

As investigações apontam que a suspeita entrou em um banheiro e, minutos depois, saiu usando outra roupa, com os cabelos soltos, óculos e carregando uma bolsa preta.

Ao abordá-la, a tia encontrou a recém-nascida escondida dentro da bolsa. A família pediu ajuda imediatamente e impediu que a mulher deixasse a unidade hospitalar. A bebê foi resgatada sem ferimentos e devolvida à família.

Toda a ação foi registrada pelas câmeras de segurança da maternidade.

Prisão preventiva

A suspeita não foi presa em flagrante porque a comunicação formal do crime ocorreu depois da tentativa de fuga. Com o avanço das investigações, a Justiça decretou a prisão preventiva.

Após a repercussão do caso, familiares internaram a técnica de enfermagem em uma clínica psiquiátrica. Policiais civis aguardaram a alta médica e cumpriram o mandado de prisão assim que ela deixou a unidade de saúde.

Em depoimento, a investigada exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio.

Defesa cita transtorno psiquiátrico

Em nota, a defesa informou que a técnica de enfermagem foi diagnosticada com sintomas esquizofrênicos, faz uso contínuo de medicamentos psiquiátricos e apresenta comprometimento para compreender a gravidade dos fatos investigados.

Apesar da alegação, a Polícia Civil informou que, até o momento, não há elementos que indiquem incapacidade penal da suspeita.




"Por mais que esse crime realmente seja extremamente incomum, nós não trabalhamos com essa hipótese de insanidade mental, a ponto de afastar a responsabilidade do que ela fez", afirmou um dos responsáveis pela investigação.



Segundo a polícia, as investigações também apontam que a mulher agiu sozinha durante toda a tentativa de sequestro.

Ela responde por tentativa de sequestro de menor de idade. A pena prevista para o crime varia de dois a oito anos de reclusão.

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