O campinho ficava pelos fundos da casa, e não era difícil saber onde Carlinho estava: bastava olhar pela janela. O menino do Jardim Guimarães desaparecia entre uma refeição e outra, entre a escola e o café da tarde. A mãe chamava, ele não ouvia, ou fingia não ouvir, até ela ir buscar pessoalmente. A janela dos fundos dava direto para o campo. Era, na prática, uma armadilha.
A irmã guarda uma memória específica desse tempo: houve um dia em que ficou esquecida na escola porque o irmão estava no meio de uma partida. A família só foi entender o que tinha acontecido anos depois. Filho mais velho, criado pela mãe, Casemiro cresceu assim, entre a responsabilidade de casa e o futebol como escape, e os dois nunca deixaram de disputar espaço.
Desse campinho de terra, o caminho levou à Escola do Moreira, onde um técnico o viu jogar com seis, sete anos e não esqueceu mais. Foi lá que começou a tomar forma o que a família já via pela janela dos fundos. Esse técnico ainda fala nisso.
Hoje são mais de oitenta jogos pela seleção e uma terceira Copa do Mundo se aproximando, feito que poucos jogadores brasileiros alcançaram. A família em São José dos Campos acompanha de longe, com o orgulho de quem esteve no começo. A mãe tem um sonho declarado: quer ver o filho levantar a taça. No bairro, o nome que circula ainda é Carlinho.
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