A polêmica envolvendo o candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Nossa Senhora Aparecida gira em torno de uma fake news viral que afirmava que o senador e candidato à Presidência pretendia apoiar um projeto para retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.
A desinformação ganhou força nas redes sociais e grupos de mensagens nesta reta final do primeiro turno das eleições de 2026, gerando forte repercussão política, religiosa e jurídica.
A imagem da Padroeira do Brasil tem mais de três séculos de história, tempo bastante para que fosse usada ao bel-prazer por governantes empenhados em capitalizar sobre o mais forte símbolo religioso do Brasil.
Em 1931, quando Nossa Senhora se tornou Padroeira do Brasil, Getúlio Vargas, que não era religioso, não sabendo o que fazer com a Imagem, segurou o seu manto azul, mas a pedido de um bispo, beijou os pés da Padroeira.
Dias antes da queda de João Goulart, no domingo de Páscoa de 1964, o presidente da Câmara dos Deputados, Paschoal Ranieri Mazzilli, esteve em Aparecida e garantiu aos padres que Jango estava com os dias contados. Os sacerdotes celebraram a derrocada de Jango como uma "vitória da revolução democrática".
Em 1995, justamente num 12 de outubro um bispo da Igreja Universal deu chutes e ofendeu a devoção à Nossa Senhora. O episódio gerou desgaste para a Universal e evangélicos como um todo.
Em 2007, o então deputado Victorio Galli, pastor evangélico, apresentou um projeto de lei pedindo que a santa fosse reconhecida como padroeira apenas dos brasileiros católicos apostólicos romanos, e não de todo o país. O PL foi arquivado no ano seguinte.
Em 2018, Jair Bolsonaro (PL) foi alvo de uma fake news de que apoiava essa iniciativa. Não há evidências disso. Quando Bolsonaro venceu, Galli virou assessor especial da Presidência.
Oito anos depois, é seu filho presidenciável quem está sendo alvejado pelas mesmas notícias falsas. Flávio nega qualquer intenção de retirar o título de Nossa Senhora.
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