O ministro André Mendonça, do STF, determinou em julho a abertura de um inquérito para investigar a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A existência da investigação só veio a público nesta semana, depois de Mendonça levantar o sigilo de outros 15 procedimentos ligados ao caso do Banco Master, dos quais é relator, atendendo a um pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin. O inquérito sobre o filme, no entanto, permanece sigiloso, por ainda estar em fase preparatória.
Segundo apurou o UOL, a decisão de Mendonça também autorizou a Polícia Federal a investigar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção envolvendo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP).
Para os investigadores, Flávio Bolsonaro não aparece no caso apenas como citado por terceiros: há indícios de que o senador cobrou recursos diretamente do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Master.
O contrato de financiamento encontrado no celular de Vorcaro previa o pagamento de US$ 24 milhões em 14 parcelas, valor equivalente a cerca de R$ 134 milhões à época. O dinheiro saía da Entre Investimentos e Participações e chegava ao Havengate Development Fund, ligado ao investidor Antônio Carlos Freixo Júnior, que nesta semana teve delação homologada por Mendonça.
O fundo havia sido criado em 2020 para um empreendimento imobiliário no Texas que prometia green card a investidores brasileiros, mas que nunca saiu do papel, segundo reportagem do Intercept. Ao todo, o Banco Master aplicou cerca de R$ 614 milhões em empresas do grupo de Freixo.
Procurado, Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade. Em março, afirmou nunca ter tido contato direto com Vorcaro. Em maio, admitiu ter pedido recursos ao banqueiro para viabilizar o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens em troca, e prometeu prestar contas sobre o financiamento, o que acabou delegado à produtora da obra, a Go Up Entertainment. Em agosto, disse à TV Globo não ver problema em um filho buscar financiamento privado para um filme sobre o próprio pai. Na noite anterior à liberação dos documentos, voltou a negar irregularidades em transmissão nas redes sociais, chamando o aporte de "investimento privado num filme privado".
O financiamento de "Dark Horse" também é investigado em outra frente, sob relatoria do ministro Flávio Dino, que apura suspeita de desvio de emendas parlamentares para custear a produção.
Nessa investigação, Mario Frias é apontado por ter destinado R$ 1 milhão em emenda a um instituto presidido por Karina Gama, produtora do filme e dona da Go Up Entertainment, o que levou a uma operação de busca e apreensão contra o deputado nesta semana.
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