segunda-feira, 20 de julho de 2026
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Fóssil de dinossauro mais caro da história é arrematado por R$ 255 milhões

Descoberto em rancho de Gary "Gus" Licking, criador de gado que morreu antes de ver a extensão do achado, exemplar é considerado um dos mais completos T. rex já encontrados; venda em leilão da Sotheby's provoca críticas de paleontólogos

Fóssil de dinossauro mais caro da história é arrematado por R$ 255 milhões
Reprodução AquiVale/Imagens

Um esqueleto de Tyrannosaurus rex apelidado de "Gus" foi vendido nesta terça-feira (14) por US$ 50,13 milhões (cerca de R$ 255 milhões, na cotação atual) em leilão realizado pela casa Sotheby's, em Nova York, tornando-se o fóssil mais caro já vendido em uma disputa de lances. O valor superou em muito a estimativa prévia, que apontava um preço entre US$ 20 e 30 milhões (de R$ 101,7 milhões a R$ 152,5 milhões), e superou o recorde anterior, do T. rex "Stan", vendido em 2020 por US$ 31,8 milhões.

A descoberta

O fóssil foi encontrado em 2021 em um rancho de 2.630 hectares no condado de Harding, Dakota do Sul, de propriedade de Gary "Gus" Licking. Ao longo de anos, o pecuarista havia encontrado dentes e fragmentos de ossos em sua propriedade, até se associar ao paleontólogo comercial Thomas Heitkamp, da empresa Theropoda Expeditions, especializada em escavação e montagem de fósseis de dinossauros. Foi Licking quem indicou à equipe a área do terreno onde acreditava haver algo significativo enterrado.

A propriedade está localizada na Formação Hell Creek, um dos sítios geológicos mais importantes do mundo para fósseis de T. rex, que se estende por Montana, Wyoming e as Dakotas. Foi ali que o primeiro esqueleto da espécie foi encontrado, em 1902.

Licking morreu em 2022, aos 67 anos, cerca de um ano após o início da escavação, sem chegar a conhecer a real dimensão da descoberta. O esqueleto foi batizado em sua homenagem. O processo de escavação, restauração e montagem do fóssil levou cerca de cinco anos.

Características do fóssil

Com 11,5 metros de comprimento e cerca de 3,8 metros de altura, "Gus" é um dos maiores e mais completos T. rex já encontrados. Segundo a Sotheby's, o exemplar é cerca de 61% completo em número de ossos, o que equivale a entre 75% e 80% de sua massa total, e inclui 183 elementos ósseos, entre eles um crânio de 137 centímetros considerado excepcionalmente bem preservado, dois pés bem representados e ossos raramente encontrados, como a fúrcula, o "osso da sorte" das aves. De acordo com a casa de leilões, apenas 32 esqueletos da espécie foram descobertos desde 1902.

Devido ao peso do crânio original, a Sotheby's optou por não utilizá-lo na montagem exposta para o leilão: uma réplica leve ocupou o lugar da peça verdadeira, que ficou exposta no saguão da sede da casa de leilões em Nova York.

O leilão

A disputa durou cerca de dez minutos, com lances iniciados em US$ 19 milhões (R$ 96,6 milhões). O comprador, que participou por telefone e pediu para não ser identificado, superou outros seis interessados. Não há informações públicas sobre a identidade do arrematante nem sobre o destino do fóssil.

Segundo a Sotheby's, os recursos da venda serão divididos entre a casa de leilões, a Theropoda Expeditions, responsável pela escavação, e a família proprietária das terras onde o fóssil foi encontrado.

Crítica de paleontólogos

A venda de fósseis para colecionadores particulares é alvo de controvérsia na comunidade científica. Segundo a legislação americana, é permitido vender fósseis encontrados em terrenos particulares, o que possibilitou a comercialização de "Gus". Para especialistas, porém, a prática representa um risco à pesquisa científica.

"Um fóssil que não está em uma coleção de museu reconhecida não pode ser estudado e, portanto, está perdido para a ciência", afirmou o paleontólogo Richard Butler, da Universidade de Birmingham, ao jornal britânico The Guardian. Instituições ligadas à paleontologia também se manifestaram contra o leilão, argumentando que fósseis como "Gus" são partes insubstituíveis do patrimônio natural do planeta.

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