segunda-feira, 31 de agosto de 2026
educação

Dormir mais pode aumentar as notas escolares, diz estudo

Pesquisa com mais de 1,1 mil estudantes encontrou melhora no desempenho acadêmico após uma intervenção para aumentar o tempo de descanso

Dormir mais pode aumentar as notas escolares, diz estudo
Foto: Reprodução

Dormir algumas horas a mais pode fazer diferença não apenas para a saúde, mas também para o desempenho acadêmico. Um estudo realizado com mais de 1,1 mil estudantes universitários nos Estados Unidos mostrou que uma intervenção simples para aumentar o tempo de sono foi acompanhada por uma melhora nas médias acadêmicas dos participantes.

Publicado no Journal of Political Economy, o experimento acompanhou os estudantes durante quatro semanas. No início da pesquisa, eles dormiam, em média, 6,6 horas por noite. Metade do grupo recebeu lembretes para dormir e um incentivo financeiro de US$ 4,75 nos dias em que atingia a meta de pelo menos sete horas de sono. O descanso foi monitorado por dispositivos Fitbit.

A estratégia teve efeito sobre os hábitos dos participantes. Entre os estudantes que receberam os incentivos, a proporção de noites com mais de sete horas de sono aumentou 26%, o equivalente a aproximadamente 19 minutos extras por noite. Mesmo depois do fim dos lembretes e das recompensas, o grupo continuou dormindo cerca de oito minutos a mais por noite.

Os pesquisadores também observaram reflexos nas notas. A média acadêmica dos estudantes que receberam a intervenção aumentou entre 0,075 e 0,089 ponto em uma escala de 0 a 4. O efeito permaneceu no semestre seguinte, indicando que a mudança no padrão de sono não esteve associada apenas a uma melhora momentânea no desempenho.

A relação entre sono e aprendizado, porém, não depende apenas da quantidade de horas dormidas. Uma pesquisa publicada na npj Science of Learning, com 54.102 estudantes do ensino fundamental II em Xangai, encontrou associação entre aproximadamente oito horas de sono e melhores resultados acadêmicos, especialmente em matemática e ciências. O estudo também identificou que uso de dispositivos eletrônicos e tempo dedicado às tarefas estavam relacionados a menor duração do sono.

Outro estudo longitudinal, realizado com 1.092 adolescentes na Noruega, apontou que dormir menos durante as noites de aula e apresentar sintomas mais intensos de insônia estavam associados a uma pior evolução das médias escolares ao longo de dois anos.

Os resultados não significam, entretanto, que simplesmente dormir mais garanta notas melhores. Uma meta-análise publicada em 2026, que reuniu 59 artigos e mais de 163 mil participantes, encontrou uma associação positiva, embora modesta, entre qualidade do sono e desempenho acadêmico. Os próprios pesquisadores destacam que idade, duração do sono, qualidade do descanso e contexto educacional podem alterar essa relação.

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