Universidades dos Estados Unidos estão criando graduações voltadas a estudantes que querem trabalhar como influenciadores e criadores de conteúdo. A iniciativa acompanha o crescimento da chamada economia dos criadores, mas também levanta dúvidas sobre o valor de uma formação universitária para uma carreira construída principalmente nas redes sociais.
A Universidade Estadual do Arizona (ASU) lançou recentemente uma graduação em criação de conteúdo pela Walter Cronkite School of Journalism and Mass Communication. O curso reúne disciplinas de comunicação e estudos de mídia com conteúdos específicos sobre podcasts, produção em estúdio e atuação diante das câmeras.
A ASU não é a única instituição a investir na área. Universidades como Syracuse, Quinnipiac e Colorado State já oferecem disciplinas, certificados ou programas relacionados à criação de conteúdo. A Universidade St. Bonaventure também anunciou uma graduação específica.
Para especialistas, porém, o diploma não garante sucesso nas plataformas. A professora de comunicação Brooke Erin Duffy, da Universidade Cornell, afirma que a atividade envolve produção de mídia, construção de audiência, estratégias digitais, negociações com marcas e trabalho constante, mas nem sempre oferece retorno financeiro no início.
O mercado é grande e continua crescendo. A eMarketer estima que os criadores de conteúdo nas redes sociais movimentem mais de US$ 20 bilhões nos Estados Unidos em 2026. A maior parte desse dinheiro, no entanto, não fica diretamente com os criadores.
Além da concorrência, o custo da formação também é questionado. Na ASU, a mensalidade para moradores do Arizona é de cerca de US$ 12 mil por ano, enquanto o custo total pode ultrapassar US$ 37 mil com moradia, alimentação e outras taxas. Para estudantes de fora do estado, a mensalidade passa de US$ 35 mil.
Apesar das críticas, profissionais da área defendem que a formação pode oferecer habilidades úteis também para outras carreiras, como comunicação, marketing, produção audiovisual e negociação com marcas.
Para os especialistas, no entanto, experiência prática, capacidade de criar conexão com o público e consistência continuam sendo fundamentais, independentemente do diploma.
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