Pais sob maior nível de estresse tendem a deixar os filhos mais expostos a celulares, tablets e outros dispositivos, segundo um estudo realizado por pesquisadores da Florida International University (FIU), nos Estados Unidos. A pesquisa ouviu 822 responsáveis por crianças de 4 a 8 anos e analisou como diferentes tipos de estresse influenciam as decisões dos adultos sobre o uso de telas.
O estudo foi conduzido por Enid A. Moreira, doutoranda em Psicologia Clínica Infantil e do Adolescente; Daniel M. Bagner, professor de Psicologia e diretor de formação clínica; e Shayl Griffith, professora associada do Departamento de Aconselhamento, Recreação e Psicologia Escolar e do FIU Center for Children and Families.
Os pesquisadores avaliaram três tipos de estresse: o provocado por dificuldades pessoais dos pais, o relacionado à convivência com os filhos e aquele associado ao comportamento das crianças. Também analisaram os limites estabelecidos para o tempo de tela e a frequência com que os adultos recorriam aos dispositivos para controlar o comportamento infantil.
Os resultados indicaram que pais com maior nível de estresse por questões pessoais tendiam a estabelecer menos limites para o uso de telas, independentemente do comportamento dos filhos. Já aqueles que consideravam o comportamento das crianças mais difícil de administrar tinham maior probabilidade de oferecer uma tela para acalmá-las ou interromper situações de conflito.
Por outro lado, o estresse relacionado especificamente à relação entre pais e filhos não apresentou associação com a decisão de usar telas como estratégia de controle.
O resultado ganha relevância diante da presença cada vez maior dos dispositivos na infância. Uma pesquisa nacional realizada em 2020 apontou que cerca de 70% dos responsáveis consideravam administrar o uso de tecnologia e redes sociais pelos filhos uma das principais fontes de estresse na criação das crianças.
Para os pesquisadores, os resultados mostram que discutir o tempo de tela infantil também exige considerar as condições enfrentadas pelos adultos. Em momentos de cansaço e pressão, os dispositivos podem acabar sendo usados como uma solução rápida para controlar conflitos ou conseguir alguns minutos de tranquilidade.
Uma das estratégias sugeridas é estabelecer previamente regras para o uso de telas, como horários e locais em que os dispositivos podem ou não ser utilizados. Quando possível, as próprias crianças podem participar da definição dessas regras, ajudando a tornar a rotina mais previsível e reduzir conflitos.
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