A disputa judicial pela herança do ex-jogador e ex-técnico da Seleção Brasileira Mário Jorge Lobo Zagallo voltou a ganhar repercussão após um novo desdobramento envolvendo os quatro filhos do tetracampeão mundial. O caso gira em torno do testamento deixado pelo "Velho Lobo", que destinou a maior parte de seu patrimônio ao filho caçula, decisão contestada pelos três irmãos mais velhos.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, os filhos mais velhos seguem tentando reverter na Justiça a divisão estabelecida por Zagallo, alegando irregularidades relacionadas ao patrimônio deixado pelo pai. Entre os pedidos apresentados está a investigação de supostos bens e valores que não teriam sido incluídos no inventário, incluindo recursos mantidos no exterior.
O testamento foi elaborado em 2016 e expressa a vontade de Zagallo de beneficiar o filho caçula, Mário César Zagallo. No documento, o ex-treinador afirma ter ficado profundamente decepcionado com os outros três filhos — Paulo Jorge Zagallo, Maria Emília Zagallo e Maria Cristina Zagallo — e determinou que metade da parcela disponível de seus bens fosse destinada exclusivamente ao caçula. Com isso, ele passou a ter direito a 62,5% do patrimônio, enquanto os demais ficaram com 12,5% cada, respeitando a parte da herança garantida por lei aos herdeiros necessários.
A disputa familiar, entretanto, vai além da divisão patrimonial. No testamento, Zagallo atribuiu sua decisão ao desgaste na relação com os três filhos mais velhos, acusando-os de terem tentado anular o testamento deixado por sua esposa, Alcina de Castro Zagallo, após sua morte. O ex-treinador afirmou que a iniciativa o deixou profundamente magoado e motivou a forma como decidiu distribuir seus bens.
Nos últimos dias, o processo ganhou novo impulso com a divulgação de informações sobre a continuidade da disputa judicial. Enquanto o filho caçula sustenta que apenas cumpriu a vontade expressa pelo pai e afirma ter sido o principal responsável pelos cuidados de Zagallo nos últimos anos de vida, os irmãos mantêm os questionamentos sobre a composição do espólio e pedem maior apuração do patrimônio deixado pelo ex-técnico.
Especialistas em Direito de Família destacam que a legislação brasileira permite que uma pessoa destine livremente apenas metade da parcela disponível de seus bens quando possui herdeiros necessários, como filhos. A outra metade deve obrigatoriamente ser dividida conforme determina a lei, razão pela qual o testamento de Zagallo foi estruturado dessa forma.
Ídolo histórico do futebol brasileiro, Zagallo morreu em janeiro de 2024, aos 92 anos. Único personagem a conquistar quatro títulos mundiais pela Seleção Brasileira, como jogador, treinador e coordenador técnico, ele deixou um legado esportivo reconhecido internacionalmente, mas também uma disputa familiar que segue sendo discutida na Justiça.
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