sexta-feira, 10 de julho de 2026
saúde

Canetas emagrecedoras do Paraguai não são equivalentes às do Brasil, diz Anvisa

Agência afirma que presença do princípio ativo não comprova eficácia, segurança ou qualidade dos medicamentos contrabandeados

Canetas emagrecedoras do Paraguai não são equivalentes às do Brasil, diz Anvisa
Canetas emagrecedoras do Paraguai não são equivalentes às do Brasil, diz Anvisa Reprodução internet

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária voltou a fazer um alerta sobre os riscos das chamadas "canetas emagrecedoras" contrabandeadas do Paraguai. Em nota oficial, o órgão desmentiu informações que circulam nas redes sociais de que análises laboratoriais teriam comprovado que esses produtos são equivalentes aos medicamentos registrados e comercializados legalmente no Brasil. Segundo a agência, essa afirmação é falsa.

O esclarecimento ocorre após a divulgação de análises realizadas pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), da Unicamp, que identificaram a presença do princípio ativo tirzepatida em alguns produtos apreendidos. No entanto, a Anvisa ressalta que esses testes, por si só, não são suficientes para garantir que os medicamentos possuam a mesma eficácia, segurança e qualidade dos produtos autorizados no país.

Presença do princípio ativo não basta

De acordo com a agência, para que um medicamento seja considerado equivalente a outro é necessário passar por uma série de estudos específicos, realizados em centros de bioequivalência credenciados.

Esses estudos avaliam, além da composição química, como o medicamento é absorvido pelo organismo, a concentração que alcança na corrente sanguínea, o tempo que permanece ativo no corpo e sua eficácia clínica. Esse conjunto de análises é conhecido como estudo de bioequivalência e biodisponibilidade.

Segundo a Anvisa, nenhuma dessas etapas foi realizada nas canetas analisadas pela Unicamp.

O que os testes realmente mostraram

A análise conduzida pelo CIATox identificou apenas três aspectos: a presença da tirzepatida, sua concentração e a estrutura molecular da substância presente nos frascos.

Entretanto, diversos fatores fundamentais para garantir a segurança de um medicamento ficaram de fora da avaliação, como a presença de contaminantes, impurezas, produtos de degradação, metais pesados, esterilidade e a forma como o organismo reage ao produto após a aplicação.

Além disso, a Anvisa destaca que o CIATox não é um centro credenciado para realizar estudos de bioequivalência e também não integra a Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde.

Produção também não foi avaliada

Outro ponto levantado pela agência é que o processo de fabricação dos medicamentos paraguaios também não passou por inspeção.

Segundo a Anvisa, o registro de um medicamento envolve uma avaliação rigorosa da cadeia de produção, incluindo boas práticas de fabricação, controle de qualidade, validação dos métodos analíticos, composição completa do produto e estudos clínicos que comprovem eficácia e segurança.

Sem essas informações, não é possível assegurar que um medicamento apresente o mesmo desempenho de outro apenas porque contém o mesmo princípio ativo.

Riscos à saúde

A Anvisa reforça que medicamentos contrabandeados não possuem registro sanitário no Brasil e, por isso, não passaram pelas avaliações exigidas para comercialização no país.

A utilização desses produtos pode expor os pacientes a riscos relacionados à dosagem incorreta, contaminação, armazenamento inadequado e ausência de controle de qualidade, além da falta de garantias sobre sua eficácia e segurança.

Diante da disseminação de informações incorretas nas redes sociais, a agência orienta que consumidores utilizem apenas medicamentos regularizados e adquiridos em estabelecimentos autorizados, sempre com acompanhamento médico e seguindo as recomendações dos órgãos de vigilância sanitária.

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