Neste domingo (25), Dia Nacional da Saúde Bucal e Dia do Cirurgião-Dentista, especialistas alertam para os riscos do uso de aparelhos ortodônticos falsos, comercializados na internet e utilizados sem avaliação profissional. Segundo o Conselho Federal de Odontologia (CFO), esses produtos podem provocar danos graves e irreversíveis à saúde bucal.
Vendidos como acessórios estéticos, os kits costumam incluir braquetes, fios metálicos e borrachinhas coloridas. O problema é que, sem diagnóstico e acompanhamento de um cirurgião-dentista, a movimentação dos dentes pode comprometer estruturas responsáveis pela sustentação dentária.
Para o ortodontista Breno Azevedo, o aparelho não deve ser tratado como um acessório, já que movimentar os dentes exige avaliação clínica e aplicação controlada de força.
“Muita gente enxerga o aparelho como um acessório, mas ele é um tratamento de saúde. Cada dente que se movimenta precisa de diagnóstico e de força controlada. Sem isso, o que parece enfeite pode virar um problema permanente”, afirma.
De acordo com o CFO, alguns kits vendidos irregularmente utilizam fios improvisados, como os feitos de cobre ou cerdas de vassoura, além de braquetes fixados com colas inadequadas. Esses materiais podem provocar lesões na boca, comprometer a estrutura dos dentes e causar infecções. Também existe risco de asfixia caso alguma peça se solte e seja aspirada.
Entre as possíveis complicações estão a perda do osso que sustenta os dentes, a reabsorção das raízes, a mobilidade dentária e até a queda dos dentes. O uso inadequado também pode provocar dores na face e na articulação da mandíbula.
“Quando a força é aplicada sem critério, o dente pode perder osso de sustentação, a raiz pode ser reabsorvida e a mordida pode se desalinhar. Muitas vezes, o paciente só percebe quando o dano já está instalado”, alerta Azevedo.
A composição dos produtos também preocupa. Segundo o conselho, alguns materiais podem conter substâncias potencialmente tóxicas, como chumbo e cádmio. Produtos odontológicos sujeitos à regulamentação sanitária precisam atender às exigências aplicáveis da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A comercialização irregular e a instalação por pessoas sem habilitação também podem ter consequências legais. O exercício ilegal da Odontologia é previsto no artigo 282 do Código Penal.
Tratamentos odontológicos exigem acompanhamento
Azevedo orienta que pessoas interessadas em corrigir o alinhamento dos dentes procurem um cirurgião-dentista para avaliar a necessidade do aparelho e definir o tratamento adequado. A compra de kits pela internet não substitui o diagnóstico nem o acompanhamento profissional.
O ortodontista também chama a atenção para tratamentos que se prolongam por anos sem serem concluídos. Segundo ele, procedimentos inicialmente previstos para cerca de dois anos podem se estender por quatro, cinco ou seis anos.
Outro problema apontado pelo especialista é a indicação de procedimentos desnecessários, que podem provocar complicações que o paciente não apresentava antes do tratamento. Na Odontologia, esses casos são chamados de iatrogenias.
Como se proteger
Para evitar complicações, alguns cuidados são importantes:
Procure um profissional habilitado: não compre aparelhos ortodônticos pela internet para instalação por conta própria ou por pessoas sem formação em Odontologia.
Confira o registro profissional: consulte o nome e o número de inscrição do dentista no Conselho Regional de Odontologia (CRO) do estado e verifique se o registro está ativo.
Peça informações sobre o tratamento: pergunte por que o procedimento é necessário, quais são os riscos e se existem alternativas.
Solicite orçamento e contrato: peça informações por escrito sobre os custos, as condições de pagamento e a previsão de duração do tratamento.
Fique atento aos sinais de alerta: dores na face ou na mandíbula, retração da gengiva e dentes com mobilidade devem ser avaliados por um cirurgião-dentista.
Suspeitas de exercício ilegal da Odontologia podem ser denunciadas ao CRO do estado. Anúncios de produtos odontológicos irregulares também podem ser encaminhados ao CFO pelo e-mail ouvidoria@cfo.org.br, acompanhados do link da oferta.
A avaliação profissional antes e durante o tratamento ajuda a identificar complicações e reduzir o risco de danos permanentes à saúde bucal.
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