O Amazonas registrou uma queda de 27% no desmatamento entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgados nesta semana. Nos oito primeiros meses do ano, foram derrubados 394 km² de floresta no estado, contra 538 km² no mesmo período de 2025.
Apesar da redução, o Amazonas segue entre os estados que mais desmatam na Amazônia Legal, ocupando a terceira posição no ranking regional. Na frente aparecem o Pará, com 624 km² desmatados, alta de 43% em relação ao ano anterior, e Mato Grosso, com 477 km², queda de 7%. Juntos, os três estados concentraram 83% de toda a área desmatada na região entre janeiro e agosto.
No total, a Amazônia Legal perdeu 2.053 km² de floresta no período, a segunda menor área para os oito primeiros meses do ano desde 2018, segundo o monitoramento por satélite do Imazon, que acompanha a região desde 2008. O número é 2% maior que o registrado no mesmo intervalo de 2025, mas fica 74% abaixo do pico de 7.943 km² atingido em 2022, o maior volume da série histórica.
A menor marca para o período segue sendo a de 2012, com 714 km² desmatados. "Olhar a série histórica é muito importante para entendermos que o Brasil já conseguiu reduzir significativamente a derrubada da floresta amazônica, mas ainda precisa de mais esforços para atingir a meta de desmatamento zero até 2030", afirma Raíssa Ferreira, pesquisadora do Imazon.
O levantamento também mostra que terras indígenas e unidades de conservação seguem sob pressão em alguns pontos da Amazônia, incluindo áreas localizadas ou compartilhadas pelo Amazonas, que aparecem entre as que tiveram mais de 1 km² de floresta derrubada.
No panorama geral, porém, os territórios indígenas apresentam os índices mais baixos de desmatamento: 246 terras, o equivalente a 63% das monitoradas, não registraram nenhuma derrubada entre janeiro e agosto, e a devastação dentro desses territórios somou 32,25 km², apenas 1,6% do total verificado na Amazônia Legal. Já as unidades de conservação tiveram 192,8 km² desmatados no período, cerca de 9% do total da região.
Os dados de agosto isoladamente mostram uma tendência diferente: foram desmatados 463 km² no mês, área 19% maior que a registrada no mesmo mês de 2025. Já a degradação florestal, causada principalmente por queimadas e extração madeireira, e que se diferencia do desmatamento por não implicar a remoção total da vegetação, caiu 72% no acumulado do ano, passando de 2.744 km² para 779 km².
Somente em agosto, a área degradada recuou 22%, de 559 km² para 436 km², com Mato Grosso e Pará concentrando, respectivamente, 47% e 32% de toda a degradação registrada no mês.
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