domingo, 4 de outubro de 2026
Meio Ambiente

Deserto do Atacama ganha paisagem rara após chuvas do El Niño

Fenômeno deve atingir o auge em outubro, com cerca de 15 mil hectares cobertos por mais de 200 espécies de plantas

Deserto do Atacama ganha paisagem rara após chuvas do El Niño
Foto: Javier Torres/AFP

Um dos lugares mais áridos do planeta ganhou novas cores após as chuvas intensas registradas durante o inverno no norte do Chile. O deserto do Atacama está passando pelo chamado “deserto florido”, fenômeno que faz sementes e bulbos permanecerem por meses ou até anos sob o solo até encontrar condições adequadas para germinar.

A floração ocorre principalmente na Região de Atacama e reúne mais de 200 espécies de plantas adaptadas às condições de aridez. Entre elas estão o suspiro e a pata de guanaco, que aparecem em diferentes áreas do deserto e formam grandes manchas coloridas na paisagem.

Segundo a Corporação Nacional Florestal do Chile (Conaf), as chuvas deste inverno ultrapassaram 180 milímetros em alguns pontos, volume considerado excepcional. A previsão é que a floração atinja seu máximo em outubro, podendo se estender por aproximadamente 15 mil hectares.

O fenômeno acontece quando a água penetra no solo e ativa sementes, bulbos e outras estruturas vegetais que permanecem em estado de dormência durante os períodos secos. A própria Conaf explica que algumas dessas plantas conseguem permanecer sob o solo até que as condições de umidade sejam suficientes para seu desenvolvimento.

El Niño favoreceu a floração

As chuvas intensas estão associadas ao fenômeno climático El Niño, que altera os padrões de temperatura do oceano Pacífico e pode provocar mudanças nos regimes de chuva em diferentes regiões.

No norte do Chile, as precipitações registradas entre 16 e 22 de julho provocaram impactos significativos, com 13 mortes e cerca de 4 mil moradias destruídas ou gravemente danificadas, segundo as autoridades citadas pela AFP. Ao mesmo tempo, a água favoreceu a germinação da vegetação que estava em dormência no deserto.

O resultado é uma transformação temporária da paisagem, com flores surgindo entre dunas e áreas normalmente dominadas por solo árido.

Fenômeno depende de condições específicas

O “deserto florido” não acontece todos os anos. A Conaf explica que a floração depende de chuvas de inverno acima do normal, além de condições adequadas de umidade e temperatura. Algumas áreas podem receber chuva suficiente para ativar a vegetação, enquanto outras permanecem sem flores.

A transformação também movimenta o turismo na região. Com a chegada de visitantes para observar e fotografar a paisagem, as autoridades chilenas reforçam a necessidade de preservar a vegetação.

No Parque Nacional Desierto Florido, por exemplo, a Conaf orienta que os visitantes utilizem somente caminhos e trilhas estabelecidos e não entrem com veículos em áreas sem acesso autorizado. A recomendação também é não retirar flores ou plantas, já que a produção de sementes é fundamental para que o fenômeno volte a ocorrer em anos favoráveis.

Além das plantas, o período de floração movimenta todo o ecossistema. Abelhas, besouros, aves, répteis e mamíferos participam desse ciclo, que transforma temporariamente o ambiente desértico.

O espetáculo, porém, é passageiro. Com o retorno das condições secas, as plantas completam seu ciclo e parte da vegetação volta a permanecer em estado de dormência sob o solo, aguardando uma nova oportunidade para florescer.

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