sábado, 8 de agosto de 2026
GASTRONOMIA

Cunha promove segunda edição de curso de formação queijeira para jovens

Oferecido pela Prefeitura da cidade, objetivo é capacitar e qualificar a mão de obra local e impulsionar novos negócios atrelados ao queijo artesanal

Cunha promove segunda edição de curso de formação queijeira para jovens

A cidade de Cunha vem se destacando, nos últimos anos, pela produção de queijos artesanais. O município tem forte tradição na cultura leiteira e queijeira e é um dos maiores produtores de leite do Estado de São Paulo, a partir da atividade de cerca de 1.500 produtores locais.

Dados da Prefeitura de Cunha indicam que 70% das famílias produtoras de leite fabricam queijos artesanais, mas existe uma carência na qualificação da mão de obra que atua no setor, em grande parte, por ser uma atividade familiar que passa de pai para filho e se concentra nas mãos de pequenos produtores. 

Para capacitar e profissionalizar este mercado, a Prefeitura oferece, pelo segundo ano consecutivo, o Curso de Formação Queijeira para jovens da cidade. Este ano, 20 jovens foram selecionados e estão recebendo formação teórica e prática em aulas que abordam desde como realizar uma ordenha segura até marketing do queijo. Serão 90 horas de aulas e ao final os que forem aprovados receberão um certificado de conclusão.

A atividade integra a programação da sexta edição do Festival do Queijo, que acontecerá entre 5 e 7 de setembro, evento que atua como vetor de desenvolvimento econômico, cultural e educacional, gerando empregos, valorizando produtos regionais e ampliando a permanência do jovem no campo.

Formação atrai jovens de diferentes perfis

Criado em parceria com o Instituto Cândido Tostes (ILCT), maior entidade educacional do setor de laticínios do Brasil, e o SEBRAE, o curso visa não só capacitar os jovens para atuarem na cadeia produtiva do queijo artesanal, mas também desenvolver novas habilidades e competências que possam expandir a atividade e impulsionar o empreendedorismo e a gastronomia local. Entre elas, a de queijista, profissional que atua na seleção, conservação, apresentação, avaliação, harmonização e comercialização do produto. 

Nos próximos dias 6 e 7, as aulas práticas serão ministradas na Fazenda Aracatu por professores do ILCT. Em dois dias, os alunos vão aprender a produzir os queijos considerados mais básicos, como o fresco, muçarela, meia cura e ricota. Outra aula prática está prevista na sede do ILCT, em Juiz de Fora (MG), onde os alunos vão aprender a produzir queijos tipo gouda, cheddar, parmesão, azuis e mofados, entre outros.

Este ano, 50 jovens se inscreveram para fazer e, após uma criteriosa seleção, 20 conseguiram permanecer no curso, o que demonstra maior interesse pela qualificação e os bons resultados alcançados na primeira edição do ano passado. Em 2025, foram 18 selecionados e 12 concluíram o curso. Entre eles, seis já estão aplicando os conhecimentos recebidos para atuarem no setor, inclusive melhorando a produção e a comercialização do queijo produzido pelas famílias de Cunha. 

Também chama a atenção, o número de mulheres interessadas no curso, sete nesta edição, em comparação a apenas duas no ano anterior. Um dos motivos é o novo módulo de formação queijista, uma atividade nova, mas que vem crescendo e atraindo jovens que desejam empreender no setor de queijo, do outro lado do balcão, comercializando a produção local.  A aula foi ministrada por Falco Bonfadini, um dos principais nomes da cultura do queijo artesanal no Brasil.

Além da formação de jovens, o Festival do Queijo promove também um curso de aprimoramento técnico voltado aos produtores de Cunha. Neste caso, os professores vão visitar os produtores para orientá-los sobre como melhorar a qualidade técnica da produção e agregar valor aos queijos produzidos. As aulas serão ministradas pela professora Débora Pereira e o professor francês Arnaud Czar, entre os dias 14 e 17 de agosto.

Tradição premiada

A cidade de Cunha vem consolidando seu papel estratégico como capital do queijo artesanal paulista e polo de encontro entre os três grandes estados produtores da região Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Uma produção reconhecida com queijos premiados, como as medalhas OURO e PRATA para os queijos da Queijaria familiar cunhense Santa Fé nos concursos Prêmio Queijos Brasil e Mundial do Queijo, ambos de 2026; e o Prêmio de Gestão Responsável 2025, na categoria Trabalho Decente e Crescimento Econômico, da Associação de Municípios do Vale do Paraíba e Litoral Norte – AMVALE, com o projeto de Formação Queijeira para Jovens 2025

Em 2025, a cidade sediou o 1º Prêmio Sudeste de Queijos Artesanais, com a participação de produtores dos quatro estados do Sudeste, somando mais de 630 queijos participantes e 90 jurados de todo o Brasil na competição.

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