Embora São José dos Campos seja conhecida principalmente pelo polo industrial e aeroespacial, boa parte do município ainda é zona rural. Segundo a Prefeitura, cerca de 70% do território da cidade está fora da área urbana, concentrado nas regiões norte e leste, onde produtores mantêm cultivos e criações pouco conhecidos do público em geral. Muitos desses processos foram registrados, há alguns anos, pelo programa "São José do Campo", da TV Câmara.
Entre os cultivos menos conhecidos está o ingá, fruto nativo pouco lembrado, mas rico em nutrientes. O nome tem origem indígena e remete à textura da polpa, adocicada e macia. Durante uma gravação do programa, um produtor mostrou o processo de colheita da vagem e destacou o sabor da fruta, que segundo ele desperta lembranças de infância entre quem já provou.
Também na zona rural, mas na região leste, mais especificamente na Vila Tesouro, uma propriedade produz mandioca orgânica, sem uso de adubo químico. O produtor Flávio colhe cerca de 4 mil caixas por ano e comercializa a produção na Ceagesp e em estabelecimentos do setor de alimentação.
Na mesma linha de produção orgânica, o morango cultivado na cidade passa por um processo totalmente artesanal. Cada muda leva, em média, de cinco a seis meses para produzir os primeiros frutos, entre o período em estufa e o tempo no canteiro de terra. Como as folhas da planta ainda são pequenas nessa fase, os pássaros costumam localizar os morangos com facilidade, o que exige atenção redobrada dos produtores na hora da colheita.
Já entre as plantas ornamentais, um cultivo em destaque é a rosa do deserto, originária da África e do sudoeste asiático, produzida em Eugênio de Melo. A espécie exige pelo menos seis horas de sol direto por dia e regas moderadas, já que o excesso de umidade apodrece as raízes. O caule engrossado da planta, chamado caudex, funciona como reserva de água e permite que ela resista ao calor. Parte da produção é comercializada na Ceagesp, em São José dos Campos, e o restante é distribuído para outras regiões do país.
Além dos cultivos, a zona rural também é palco de outras atividades agrícolas. Na região sudeste do município, um produtor rural cultiva 13 hectares de milho destinado à silagem, usada na alimentação do gado em confinamento, principalmente na pecuária leiteira, e como alternativa ao pasto em épocas de seca.
Já na criação animal, a zona rural conta com um trutário em São Francisco Xavier, onde produtores se dedicam à piscicultura, atividade pouco associada à cidade. Na mesma região funcionam apiários responsáveis pela produção de mel, própolis e pólen, além do uso da cera de abelha na fabricação artesanal de sabonetes e velas — os próprios apicultores abriram as portas de suas propriedades para a equipe da TV Câmara registrar o processo.
Por fim, a cidade abriga capris, propriedades voltadas à criação de cabras para produção de leite e queijo, atividade registrada oficialmente pela Prefeitura em estabelecimentos como o Laticínio Caetê e o Laticínio San Michele.
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