Há 28 anos, Rubens veste o uniforme de garçom e segue para o mesmo restaurante em São José dos Campos. Ao longo desse período, viu clientes chegarem, famílias crescerem, colegas passarem pela casa e o bairro ao redor do Villa Velha mudar. A profissão também se transformou, mas ele permaneceu ligado a uma forma de atendimento que, para ele, continua fazendo sentido.
Antes de se tornar garçom no Villa Velha, Rubens trabalhou durante oito anos em uma pizzaria de São José dos Campos, entre 1987 e 1995. Nesse período, também começou a fazer trabalhos como freelancer no Villa Velha, entre 1990 e 1995. Em 1995, passou a integrar oficialmente a equipe do restaurante, inicialmente no bar. Três anos depois, em 1998, foi para o salão, onde permanece até hoje no atendimento à la carte.
A identificação com esse modelo de serviço foi um dos motivos que fizeram Rubens permanecer na profissão. Para ele, o atendimento à la carte tem um ritmo próprio, que exige atenção ao cliente e até mesmo sensibilidade para saber a hora certa de se aproximar de uma mesa.
“Tem aquele timing do garçom de chegar na mesa. Não é qualquer momento que a gente pode chegar em uma mesa que os clientes estão conversando”, conta.
Com quase três décadas de experiência, Rubens também acompanhou a mudança no perfil dos clientes e na rotina do bairro. Segundo ele, regiões que antes tinham movimento durante boa parte do dia passaram a ter uma dinâmica diferente, principalmente no período da noite.
Apesar das transformações, o Villa Velha manteve características que remetem a uma época em que o atendimento era menos digitalizado. O restaurante ainda trabalha com comanda e cardápio físico e mantém o serviço à la carte como parte da identidade da casa.
Para Rubens, essa permanência também representa uma escolha pessoal. Ele se considera mais “conservador” e diz gostar desse modelo de atendimento. Ao mesmo tempo, afirma que precisou aprender a se adaptar às mudanças e aos novos clientes que passaram pelo restaurante.
Nesse caminho, também ficaram as histórias e os vínculos criados com quem frequentava o Villa Velha. Rubens lembra de clientes antigos, como Seu Zezinho, de Caraguatatuba, e José de Paula, de Jacareí. Alguns já morreram, mas as famílias continuam frequentando o restaurante.
“Todos esses clientes, hoje a família ainda frequenta aqui”, relembra.
A experiência acumulada ao longo dos anos também virou aprendizado para os garçons que estão começando. Rubens conta que tenta transmitir aos colegas mais novos aquilo que aprendeu sobre atendimento e sobre a relação com o cliente, embora reconheça que os tempos mudaram e nem todos seguem os mesmos costumes.
Para ele, permanecer por tanto tempo na mesma casa é motivo de realização.
“Na minha profissão, assim, eu sou realizado”, afirma.
Tradição que também está no quadro de funcionários
A permanência de Rubens no Villa Velha faz parte de uma característica que, segundo o proprietário do restaurante, Antônio Júnior, é valorizada pela casa: a busca por manter uma equipe estável.
Para Antônio, a permanência dos funcionários é fundamental para preservar o padrão de atendimento e também para criar uma relação de confiança com os clientes.
“Uma casa, para ter sucesso, precisa ter padrão, padrão de atendimento, padrão oferecendo seus produtos. E um dos segredos para manter esse padrão é ter as pessoas trabalhando, não ter um giro de pessoas”, explica.
O proprietário destaca que a longa permanência de funcionários permite que os clientes sejam reconhecidos pelo nome e tenham uma relação mais próxima com a equipe.
“No caso do Rubens, está um tempão com a gente. Então o cliente vem, chama pelo nome. Isso tudo faz com que o cliente se sinta em casa, que ele se sinta mais, melhor tratado”, afirma.
Rubens não é o único funcionário com uma longa história no restaurante. A cozinheira Deise também está há muitos anos na equipe, além de outros profissionais que ajudaram a construir a trajetória da casa.
Em uma profissão marcada pelo contato direto com as pessoas e por uma rotina que exige atenção aos detalhes, histórias como a de Rubens mostram que o trabalho de garçom vai muito além de anotar pedidos e levar pratos à mesa. São anos construindo relações, acompanhando mudanças e, principalmente, fazendo parte da história de um lugar.
No Villa Velha, depois de 28 anos, Rubens continua chegando às mesas. E, para muitos clientes, ele já não é apenas o garçom do restaurante: é parte da própria tradição da casa.
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