Eles estão presentes na rotina de milhões de pessoas e, muitas vezes, parecem opções práticas para o dia a dia. Mas uma lista publicada pela BBC Good Food chama atenção para dez categorias de alimentos ultraprocessados que merecem cuidado quando consumidas com frequência.
A seleção foi elaborada pela nutricionista Kerry Torrens e considera características comuns dos chamados ultraprocessados, como a presença de conservantes, emulsificantes, corantes e outros aditivos, além de concentrações elevadas de açúcar, gordura saturada ou sal.
A publicação ressalta, porém, um ponto importante: estudos associam o consumo frequente de ultraprocessados a problemas de saúde, incluindo obesidade, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer, mas isso não significa que já esteja comprovado que esses alimentos, isoladamente, sejam a causa dessas doenças.
Confira, em ordem crescente, os dez itens apontados pela BBC Good Food:
10º — Refeições prontas
Pratos congelados ou refrigerados vendidos prontos para o consumo aparecem no fim da lista. Segundo a publicação, esses produtos podem apresentar quantidades elevadas de calorias, açúcar livre, gordura saturada e sal, além de conservantes e outros aditivos utilizados para aumentar a validade e melhorar sabor e aparência.
9º — “Queijos” veganos
As alternativas vegetais ao queijo podem utilizar gordura saturada, amidos, estabilizantes, corantes e aromatizantes para reproduzir características do produto tradicional.
A BBC Good Food destaca que alguns desses produtos apresentam pouca proteína e podem ser ricos em gordura, gordura saturada e sal.
8º — Margarina
Por ser uma emulsão de água e óleo, a margarina pode receber emulsificantes, sal, proteínas, vitaminas, corantes e aromatizantes.
A publicação ressalta que margarinas feitas com óleos insaturados podem oferecer vantagens em relação à manteiga no consumo de gordura saturada, portanto a classificação como ultraprocessado não significa, por si só, que todo produto seja nutricionalmente pior.
7º — Salgadinhos de batata reformulados
Produtos como os salgadinhos de batata moldados são feitos a partir de batata desidratada e outros ingredientes, podendo incluir óleos vegetais, farinha, emulsificantes, sal, corantes e realçadores de sabor.
A publicação também chama atenção para a possibilidade de formação de acrilamida durante processos de cozimento em altas temperaturas, embora ressalte que os resultados dos estudos em humanos ainda sejam inconsistentes.
6º — Nuggets de frango
Apesar da imagem de alimento à base de peito de frango, a composição pode variar bastante entre marcas. A BBC Good Food aponta a presença de ingredientes como amido, óleo, xarope de glicose, estabilizantes e corantes em determinados produtos.
A combinação pode resultar em alimentos com níveis elevados de gordura, açúcar e sal.
5º — “Carne” vegetal
Hambúrgueres, salsichas e outros substitutos vegetais da carne estão entre os produtos classificados como ultraprocessados pela publicação.
Para reproduzir textura, sabor e aparência da carne, podem ser utilizados emulsificantes, estabilizantes, corantes, realçadores de sabor e outros ingredientes. A própria BBC Good Food destaca que nem todos os produtos vegetais têm a mesma composição e que é necessário observar o rótulo.
4º — Cachorro-quente
O tradicional hot dog combina salsicha, geralmente uma carne processada, com pão. Segundo a publicação, carnes processadas podem apresentar nitratos, além de quantidades elevadas de sal e gordura saturada.
A BBC Good Food cita associações entre o consumo prolongado de carne processada e maior risco de problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outros desfechos de saúde.
3º — Alguns cereais matinais
Nem todo cereal matinal é igual. A preocupação está principalmente nos produtos que combinam grãos altamente processados com grandes quantidades de açúcar e aditivos, como conservantes e corantes.
A publicação destaca ainda que alguns desses cereais podem apresentar pouca fibra e proteína, apesar de eventualmente serem enriquecidos com vitaminas e minerais.
2º — Pão produzido em larga escala
O pão de forma industrializado está entre os produtos que mais podem surpreender o consumidor.
A receita básica do pão é simples — farinha, água, fermento e sal —, mas versões produzidas em larga escala podem conter emulsificantes, conservantes, açúcar e outros ingredientes utilizados para acelerar a fabricação, melhorar textura e prolongar a validade.
Isso não significa que todo pão industrializado seja uma escolha ruim. A própria BBC Good Food recomenda observar a quantidade de fibras e a lista de ingredientes, já que existem diferenças importantes entre os produtos disponíveis no mercado.
1º — Bebidas energéticas
No topo da lista aparecem as bebidas energéticas.
De acordo com a BBC Good Food, esses produtos combinam frequentemente açúcares, como glicose e sacarose, com cafeína e outros ingredientes estimulantes. O consumo frequente pode representar preocupação especialmente entre crianças e adolescentes, além de aumentar a carga de açúcar e estimulantes da dieta.
O que são os ultraprocessados?
Os ultraprocessados são produtos formulados industrialmente que normalmente contêm uma combinação de ingredientes e aditivos que dificilmente seriam utilizados em uma preparação doméstica convencional. Entre eles estão emulsificantes, estabilizantes, conservantes, corantes e adoçantes.
O problema apontado pela publicação não está apenas em um ingrediente isolado. Esses produtos também tendem a concentrar açúcar, gordura e sal, enquanto apresentam menor quantidade de fibras e outros nutrientes encontrados em alimentos pouco processados.
Por isso, especialistas recomendam atenção à frequência e à quantidade consumidas, e não necessariamente a uma proibição absoluta.
Uma das formas mais simples de identificar um produto mais processado é observar a lista de ingredientes. Quanto maior e mais complexa ela for, especialmente quando reúne diversos aditivos e ingredientes pouco familiares, maior tende a ser o grau de processamento.
A orientação da BBC Good Food é priorizar, sempre que possível, alimentos in natura ou minimamente processados e reduzir gradualmente a presença dos ultraprocessados na alimentação.
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