Um novo medicamento para o tratamento da doença de Parkinson foi aprovado nesta segunda-feira (28) nos Estados Unidos. O tavapadon, vendido pela farmacêutica AbbVie com o nome Juvmo, recebeu autorização da Food and Drug Administration (FDA) e deve chegar às farmácias americanas em outubro.
A principal novidade está na forma como o medicamento atua no cérebro. O tavapadon é um agonista parcial seletivo dos receptores de dopamina D1 e D5, mecanismo diferente do utilizado por boa parte dos medicamentos atualmente disponíveis para controlar os sintomas da doença.
O comprimido é tomado uma vez ao dia e poderá ser utilizado sozinho por pacientes com Parkinson em estágio inicial ou combinado com a levodopa, principal medicamento usado no controle dos sintomas motores da doença.
A aprovação foi baseada nos resultados de três estudos clínicos de fase 3, conhecidos como programa TEMPO. As pesquisas avaliaram o medicamento tanto em pacientes que ainda não utilizavam levodopa quanto em pessoas que já faziam uso do remédio e apresentavam períodos de piora dos sintomas ao longo do dia.
Nos estudos com pacientes em estágio inicial, o tavapadon apresentou melhora dos sintomas motores e das atividades cotidianas em comparação com o placebo. Entre os pacientes que já utilizavam levodopa, a combinação com o novo medicamento aumentou o período do dia em que os sintomas permaneciam controlados.
Em um dos estudos, os pacientes que receberam tavapadon junto com levodopa tiveram, em média, 1,7 hora a mais de tempo “on” sem discinesia problemática. No grupo que recebeu placebo, o aumento foi de 0,6 hora.
Novo medicamento não é cura
Apesar da aprovação, o tavapadon não interrompe a evolução do Parkinson nem representa uma cura para a doença. O objetivo é controlar os sintomas e melhorar o período em que o paciente consegue realizar suas atividades com menor impacto dos sintomas motores.
A nova opção também ainda não demonstrou que seja necessariamente mais bem tolerada do que os medicamentos já utilizados. Entre os efeitos colaterais observados nos estudos estão náusea, tontura, dor de cabeça, cansaço, boca seca, vômitos e ansiedade.
Em pacientes que utilizaram o medicamento junto com levodopa também foram registrados casos de discinesia, alucinações e queda da pressão arterial ao se levantar. A FDA ainda alerta para a possibilidade de comportamentos compulsivos, como jogos de azar, compras, alimentação ou aumento da libido, associados a medicamentos que atuam sobre o sistema dopaminérgico.
Como o Parkinson afeta o organismo?
O Parkinson é uma doença neurológica progressiva que ocorre principalmente pela perda de neurônios responsáveis pela produção de dopamina em uma região do cérebro. A redução desse neurotransmissor compromete circuitos envolvidos no controle dos movimentos.
Os sintomas mais conhecidos são tremores, rigidez muscular e lentidão dos movimentos. A doença, porém, também pode provocar alterações que não estão diretamente relacionadas à parte motora, como constipação, perda do olfato, distúrbios do sono, depressão e dores.
Mais de 11 milhões de pessoas vivem com Parkinson no mundo, segundo estimativas citadas pela farmacêutica e por organizações ligadas à doença.
A levodopa continua sendo um dos principais medicamentos utilizados no tratamento. Com a evolução do Parkinson, entretanto, alguns pacientes passam a apresentar oscilações na resposta ao remédio, alternando períodos de melhor controle dos sintomas com momentos em que eles retornam ou pioram.
É nesse cenário que o tavapadon surge como uma nova alternativa de tratamento. A chegada do medicamento aos Estados Unidos está prevista para outubro.
Quando chega ao Brasil?
Por enquanto, o tavapadon não tem registro aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Portanto, ainda não há previsão de comercialização do Juvmo no Brasil.
A aprovação nos Estados Unidos não significa autorização automática para uso em outros países. Para ser comercializado no Brasil, o medicamento precisará passar pelo processo de avaliação e registro da Anvisa.
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