domingo, 25 de outubro de 2026
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Céu de ‘A Noite Estrelada’, de Van Gogh, pode ter sido inspirado em cenário real, aponta estudo

Pesquisa publicada na revista Scientific Reports identificou semelhanças entre os astros retratados na obra e o céu observado no sul da França em julho de 1889.

Céu de ‘A Noite Estrelada’, de Van Gogh, pode ter sido inspirado em cenário real, aponta estudo
Foto: Google Arts & Culture/Museum of Modern Art

O céu retratado em A Noite Estrelada, uma das obras mais conhecidas do pintor holandês Vincent van Gogh, pode ter sido inspirado em uma observação real feita pelo artista no sul da França. Um estudo publicado nesta quinta-feira (22) na revista científica Scientific Reports aponta que a posição de alguns astros na pintura corresponde à configuração do céu antes do amanhecer de 22 de julho de 1889.

Na época, Van Gogh vivia em Saint-Rémy-de-Provence, no sul da França. Segundo os pesquisadores, a Lua crescente, o planeta Vênus e as Híades, um aglomerado de estrelas localizado na constelação de Touro, apareciam próximos no céu naquela manhã, em uma disposição semelhante à representada na tela.

A descoberta contribui para um debate que se estende há décadas sobre a origem da composição. Tradicionalmente, a pintura é associada a junho de 1889, mas os pesquisadores apontam que a fase da Lua naquele período não corresponde ao fino crescente retratado por Van Gogh.

Em meados de junho, a Lua estaria mais cheia. Já em 22 de julho, sua aparência seria mais próxima da representada na obra, enquanto Vênus e as Híades surgiam próximos no horizonte leste.

Como o estudo foi realizado

Para investigar a possível relação entre a pintura e o céu real, os pesquisadores combinaram simulações astronômicas, registros meteorológicos da época, cartas escritas por Van Gogh e medições das posições dos astros na tela.

A equipe também esteve na França para reconstruir o campo de visão do artista e identificar a região de onde ele poderia ter observado a paisagem. Em seguida, comparou a disposição das estrelas pintadas com a das Híades.

De acordo com o estudo, cinco estrelas na região central de A Noite Estrelada apresentam uma configuração semelhante à do aglomerado estelar. A correspondência também aparece em um desenho a caneta feito posteriormente por Van Gogh, no qual a disposição das estrelas seria ainda mais próxima da configuração astronômica.

O primeiro autor da pesquisa, Elijah Jeong-hyun Kim, afirmou ao g1 que a fase da Lua foi uma das principais evidências para a hipótese de julho.

Segundo o pesquisador, a representação mais precisa das Híades no desenho posterior também sugere que Van Gogh tinha em mente a disposição real das estrelas.

Observação e imaginação na obra

Os resultados não indicam, porém, que o pintor tenha reproduzido fielmente uma única noite. Os pesquisadores consideram possível que Van Gogh tenha combinado observações feitas em diferentes dias para construir a composição final.

Essa hipótese também aparece em análises de outras obras do artista. Em Noite Estrelada sobre o Ródano, por exemplo, cálculos indicam que a paisagem e o céu retratados correspondem a direções e campos de visão distintos, sugerindo que elementos observados separadamente podem ter sido reunidos na mesma tela.

Kim avalia que um processo semelhante pode ter ocorrido em A Noite Estrelada. Para ele, Van Gogh pode ter combinado elementos do céu observados nos dias próximos a 22 de julho de 1889.

Os autores ressaltam, entretanto, que não é possível determinar com certeza a data em que a pintura foi concluída. As lacunas nos registros meteorológicos e as limitações do método de comparação das estrelas impedem uma conclusão definitiva, além da possibilidade de o artista ter trabalhado na obra durante vários dias.

Assim, o estudo aponta que a pintura pode ter uma base astronômica real, especialmente compatível com o céu observado antes do amanhecer de 22 de julho de 1889, sem descartar a interpretação artística e a combinação de diferentes observações por Van Gogh.

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