domingo, 13 de setembro de 2026
SAÚDE

Casos de câncer ligados ao 11 de Setembro aumentam 25 anos após os atentados

Exposição à poeira tóxica após o desabamento das Torres Gêmeas está associada a milhares de diagnósticos entre bombeiros, socorristas, sobreviventes e outras pessoas que estavam na região

Casos de câncer ligados ao 11 de Setembro aumentam 25 anos após os atentados

Vinte e cinco anos após os atentados de 11 de Setembro, os impactos sobre a saúde das pessoas expostas à poeira e à fumaça do World Trade Center continuam aparecendo. O número de casos de câncer reconhecidos como relacionados aos ataques aumentou significativamente ao longo dos anos, especialmente entre bombeiros, socorristas, sobreviventes e trabalhadores que atuaram na região de Nova York.

Dados divulgados recentemente mostram que ao menos 57 mil casos de câncer são atualmente reconhecidos como relacionados à exposição decorrente dos atentados, segundo informações da Folha de S.Paulo. Há uma década, eram cerca de 5.600 casos reconhecidos.

A CNN Brasil também destacou o impacto prolongado da tragédia sobre a saúde. Segundo dados apresentados pela emissora com base no Memorial do 11 de Setembro, 49 mil pessoas foram diagnosticadas com cânceres considerados relacionados à exposição no World Trade Center dentro do programa de saúde criado para atender as vítimas. Mais de 140 mil pessoas de todos os 50 estados americanos estão inscritas no programa.

Poeira tóxica após o desabamento

Após o colapso das Torres Gêmeas, uma enorme nuvem de poeira e fumaça tomou conta de parte de Manhattan. O material continha diferentes substâncias potencialmente perigosas, incluindo amianto, além de partículas provenientes da destruição dos edifícios e da queima de materiais.

Milhares de bombeiros, policiais, profissionais de emergência, trabalhadores e moradores permaneceram expostos ao ambiente contaminado durante os dias e meses que se seguiram aos ataques.

Segundo a CNN, documentos divulgados recentemente pela Prefeitura de Nova York levantaram novas informações sobre a qualidade do ar após o atentado. Mais de 170 mil páginas foram tornadas públicas e indicam falhas na comunicação das autoridades sobre os níveis de poluição e os riscos à saúde existentes na região.

Câncer passou a ser reconhecido pelo programa de saúde

O Programa de Saúde do World Trade Center foi criado pelo governo americano para acompanhar pessoas afetadas pelos atentados e oferecer tratamento para doenças relacionadas à exposição.

O câncer, porém, não fazia parte da cobertura inicial do programa. A doença foi incluída posteriormente, em 2012, após pressão de entidades de defesa das vítimas e pesquisas que identificaram taxas elevadas de câncer entre bombeiros que trabalharam no Marco Zero.

A ampliação do reconhecimento permitiu que pessoas diagnosticadas anos depois dos ataques também pudessem buscar atendimento e assistência.

Doenças continuam surgindo décadas depois

A evolução dos casos mostra que os efeitos do 11 de Setembro não ficaram restritos ao dia dos ataques. Muitas das doenças associadas à exposição foram diagnosticadas anos ou até décadas depois.

A Folha destaca que pesquisas científicas e estudos clínicos ajudaram a estabelecer a relação entre a exposição ao ar tóxico e o aumento de determinados tipos de câncer. O crescimento do número de casos reconhecidos também está ligado ao avanço das pesquisas e à ampliação dos critérios de atendimento e reconhecimento das doenças.

Além do câncer, o Programa de Saúde do World Trade Center contabiliza dezenas de milhares de outras condições relacionadas aos atentados. A CNN ressalta que o impacto físico e psicológico continua afetando pessoas em diferentes partes dos Estados Unidos.

25 anos depois

Os ataques de 11 de Setembro deixaram 2.977 mortos em Nova York, Washington e na Pensilvânia. Na cidade de Nova York, 2.753 pessoas morreram em decorrência dos ataques às Torres Gêmeas. Entre elas estavam 343 bombeiros e 23 policiais.

Um quarto de século depois, a tragédia ainda produz consequências para milhares de sobreviventes e socorristas. O aumento dos casos de câncer relacionados à exposição à poeira tóxica tornou-se uma das principais marcas dos efeitos de longo prazo dos atentados.

Foto: Spencer Platt/Getty Images

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