quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Caraguatatuba

Casal é suspeito de matar jovem de 17 anos por ciúme

Clara Victória foi levada já sem vida a uma UPA; polícia encontrou sangue em casa, apreendeu faca e suspeita que imóvel tenha sido lavado para apagar vestígios

Casal é suspeito de matar jovem de 17 anos por ciúme
Reprodução/ Vanguarda

Clara Victória de Oliveira Palhares, de 17 anos, foi morta a facadas na segunda-feira (31), em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo. A Polícia Civil investiga o caso como homicídio qualificado e apura a possibilidade de que a adolescente tenha sido atraída para uma casa no bairro Travessão, onde teria ocorrido uma discussão que terminou em agressões e na morte dela.

Clara foi levada já sem vida à UPA Sul, no bairro Perequê-Mirim, por volta das 18h30. Ela chegou ao local em um Chevrolet Prisma prata, conduzido por um homem que não era conhecido da equipe médica.

Segundo o relato registrado pela polícia, o homem disse que havia encontrado a jovem ferida na rua e que ela havia pedido ajuda. Pouco depois, ele deixou a unidade dizendo que precisava devolver o carro e que não poderia esperar.

As câmeras de segurança da UPA registraram a chegada do homem. As imagens foram recolhidas pela polícia e serão utilizadas para tentar identificar e localizar quem levou Clara ao hospital.

A adolescente apresentava um ferimento profundo e extenso provocado por faca no peito. Ela também tinha marcas no pescoço e um dente quebrado, sinais que levantaram a possibilidade de que tenha ocorrido uma luta antes da morte.

Outro ponto considerado incomum pela equipe médica foi o fato de a roupa de Clara não apresentar perfuração e haver pouca quantidade de sangue aparente, apesar da gravidade do ferimento. Exames de necropsia foram solicitados para ajudar a esclarecer a causa e a dinâmica da morte.

PM já havia sido chamada para o endereço

Antes de saber que Clara havia morrido, a Polícia Militar havia sido acionada para uma casa na Rua Sebastião S. Santos, no bairro Travessão, após uma denúncia de agressão.

Os policiais foram até o imóvel e fizeram uma primeira vistoria, mas não encontraram naquele momento elementos que indicassem claramente que um crime havia acontecido.

Depois de receber a informação sobre a morte da adolescente, a equipe voltou à região. Os policiais também conversaram com duas amigas de Clara, que relataram que alguns homens haviam ido até a casa onde elas estavam para dizer que a jovem havia se ferido durante uma discussão e tinha sido levada para a UPA.

Quando chegaram à unidade, as amigas descobriram que Clara estava morta.

Com as novas informações, os policiais retornaram ao imóvel do Travessão. Na segunda vistoria, encontraram diversos vestígios que não haviam sido identificados anteriormente.

Havia manchas de sangue espalhadas pela casa, inclusive em uma parede. Os policiais também encontraram o celular de Clara, que estava com uma capa lilás, e um travesseiro com marcas de sangue próximo à parede.

O piso estava molhado e uma garrafa de água sanitária foi localizada perto da porta. Um tijolo também aparentava ter caído recentemente.

Os elementos encontrados levantaram a suspeita de que o local havia sido lavado após o crime, possivelmente em uma tentativa de eliminar vestígios.

Dono da casa é um dos investigados

O imóvel pertence a Luiz Paulo Prates de Souza, de 26 anos, um dos dois principais investigados no caso.

O pai dele mora no mesmo terreno, em outra casa. Em depoimento à polícia, o homem contou que ouviu uma discussão vindo da residência do filho, mas afirmou não saber quem estava no local nem o motivo da briga.

Ele também disse que Luiz Paulo mantinha um relacionamento com uma mulher de 21 anos, Gabriely Nascimento Pereira, com quem tem um filho. Segundo o depoimento, havia a possibilidade de o filho também manter um relacionamento com Clara.

A polícia pediu que o homem entrasse em contato com Gabriely. Quando ela foi procurada, o telefone dela tocou dentro da própria propriedade. O aparelho estava no quarto do pai do investigado e foi apreendido.

O pai também foi questionado sobre as imagens do homem que levou Clara à UPA. Por ter problemas de visão, disse que não conseguia reconhecê-lo, mas afirmou que o filho possui mechas claras no cabelo, conhecidas como "luzes".

Discussão por ciúmes é investigada

A polícia também apura uma possível motivação relacionada a ciúmes.

Como Clara tinha 17 anos, o Conselho Tutelar foi acionado. Durante o atendimento, uma jovem que se apresentou como "irmã de consideração" da adolescente contou que Clara havia se envolvido recentemente em uma discussão com uma mulher que suspeitava de um relacionamento entre a jovem e o namorado.

Segundo esse relato, Clara teria enviado uma mensagem ao homem apenas para pedir um par de tesouras que pertenciam a ela. A conversa, porém, teria sido vista pela namorada, que interpretou a situação como uma possível aproximação amorosa.

A informação foi repassada à polícia e passou a ser considerada uma das possíveis linhas de investigação para explicar a motivação do crime.

A hipótese de ciúmes, porém, ainda não está comprovada.

Faca e carro são apreendidos

Uma faca que pode ter sido utilizada no homicídio foi apreendida pela polícia e encaminhada para análise pericial.

O Chevrolet Prisma usado para levar Clara até a UPA também foi encontrado abandonado em frente à casa onde a polícia encontrou os vestígios. O veículo será submetido a exames em busca de impressões digitais e outros elementos que possam ajudar na investigação.

Além do carro, celulares e a chave do veículo foram apreendidos.

A polícia trabalha com a hipótese de que Clara tenha sido atraída até o imóvel, onde teria ocorrido uma discussão seguida de agressões. A investigação também apura se houve uma tentativa de limpar a casa para apagar vestígios depois da morte.

O objetivo agora é esclarecer exatamente o que aconteceu dentro da residência, quem estava no local no momento do crime e qual foi a participação de cada um dos dois investigados.

Até o momento, ninguém foi preso. O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Caraguatatuba.

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