A Amazônia e o Cerrado registraram as menores taxas de desmatamento de suas séries históricas em 2026, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados pelo governo federal nesta sexta-feira (16). Na comparação com o período anterior, a queda foi de 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado.
Na Amazônia, foram desmatados 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, contra 5.731 km² no período anterior. A redução foi de 2.396 km².
No Cerrado, a área de vegetação nativa suprimida passou de 7.235,27 km² para 5.516,69 km², uma queda de 1.718,58 km².
Pará lidera desmatamento na Amazônia
O Pará registrou a maior área desmatada na Amazônia, com 1.130 km². Em seguida aparecem Mato Grosso, com 849 km², e Amazonas, com 525 km².
Os três estados tiveram redução superior a 45% em relação ao período anterior. Roraima foi o único estado da Amazônia Legal a registrar aumento, de 0,4%, passando de 285 km² para 286 km².
Maranhão lidera no Cerrado
No Cerrado, o Maranhão teve a maior área desmatada, com 1.718,59 km², seguido por Tocantins, com 1.263,06 km², e Piauí, com 625,24 km².
Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que formam a região conhecida como Matopiba, concentraram 74,3% do desmatamento registrado no bioma.
O Piauí apresentou a maior redução entre os quatro estados, de 53,7%. Na Bahia, a queda foi de 38%; no Tocantins, de 15,2%; e no Maranhão, de 14,3%.
Fiscalização ambiental
Segundo o governo federal, a redução está associada a ações de monitoramento por satélite, fiscalização e controle do desmatamento, além de iniciativas de conservação e incentivo à produção sustentável.
Entre 2023 e 2026, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou 76.095 ações de fiscalização e aplicou R$ 11,8 bilhões em multas por infrações contra a flora. O órgão também embargou 18.630 km² de áreas.
Como o desmatamento é medido?
Os dados são calculados pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), do Inpe. O levantamento considera a supressão de vegetação nativa entre agosto de 2025 e julho de 2026.
Na Amazônia, o número divulgado é uma estimativa baseada nas imagens prioritárias. A taxa consolidada será publicada posteriormente. No Cerrado, o resultado já corresponde ao levantamento consolidado de todo o bioma.
O Prodes mede o desmatamento anual, enquanto o sistema Deter emite alertas para orientar a fiscalização. As áreas atingidas por incêndios não são automaticamente contabilizadas como desmatamento, pois os indicadores medem fenômenos diferentes.
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