domingo, 5 de julho de 2026
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Ypê volta a vender, embora bactéria nos produtos preocupe especialistas

Microrganismo encontrado em lotes recolhidos pela Anvisa é resistente a antibióticos e pode causar infecções graves, principalmente em idosos e pacientes internados

Ypê volta a vender, embora bactéria nos produtos preocupe especialistas
Ypê volta a vender, embora bactéria nos produtos preocupe especialistas AquiVale/Imagens

A presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes de produtos da Ypê recolhidos pela Anvisa acendeu um alerta entre especialistas em saúde.

Considerada um dos microrganismos mais perigosos do ambiente hospitalar, a bactéria possui alta resistência a antibióticos e pode provocar desde irritações leves na pele até infecções generalizadas com risco de morte.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a taxa de mortalidade da Pseudomonas aeruginosa pode variar entre 32% e 58% em casos graves, como infecções na corrente sanguínea e pneumonias associadas à ventilação mecânica.

Presente naturalmente no solo e na água, a bactéria normalmente não representa riscos para pessoas saudáveis. O perigo maior está em pacientes com baixa imunidade, idosos, pessoas internadas em UTI, transplantados e pacientes em tratamento contra o câncer.

Em casos domésticos, o contato com produtos contaminados pode causar sintomas como irritação na pele, alergias, coceira, ardência nos olhos, dermatites e desconfortos respiratórios.

A biomédica Daiane Ribeiro, especialista em produtos de limpeza e ex-funcionária da Unilever, explicou à Folha que a bactéria é considerada oportunista, ou seja, costuma provocar quadros graves apenas quando encontra falhas nas defesas naturais do organismo.

O infectologista Leonardo Ruffing, do Hospital Vera Cruz, também alertou para o risco do uso dos produtos contaminados na higienização de cateteres, sondas ou inaladores. Segundo ele, isso pode facilitar a entrada direta da bactéria no organismo e provocar infecções até mesmo em pessoas sem doenças graves.

Nos quadros mais severos, a Pseudomonas aeruginosa pode atingir pulmões, trato urinário e corrente sanguínea, evoluindo para sepse — infecção generalizada com risco de morte.

Outro fator que preocupa especialistas é a resistência da bactéria aos antibióticos. Conforme a reportagem, ela pode ser até cem vezes mais resistente do que bactérias comuns.

Um estudo da Hong Kong Polytechnic University, publicado na revista científica Microorganisms, aponta que o microrganismo forma biofilmes, estruturas protegidas por uma camada viscosa que funciona como um escudo físico. Isso permite que a bactéria sobreviva até mesmo dentro de embalagens de produtos de limpeza.

A Organização Mundial da Saúde classifica a resistência antimicrobiana como uma das maiores ameaças globais à saúde pública.

Especialistas apontam que a contaminação pode ter ocorrido por falhas em conservantes da fórmula, problemas na higienização industrial ou contaminação da água utilizada na fabricação dos produtos.

Em nota, a Ypê afirmou possuir “fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes”, garantindo que os produtos envolvidos “são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor”.

A empresa também informou que recorreu da decisão da Anvisa e conseguiu suspender temporariamente os efeitos da proibição, voltando a comercializar os produtos até uma nova manifestação da agência.

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