A vanilina, substância usada para dar sabor de baunilha a cigarros eletrônicos, pode interferir em etapas importantes do desenvolvimento de um embrião, segundo um estudo publicado na revista científica Human Reproduction. A pesquisa foi realizada por cientistas da University of California, Riverside (UCR) e analisou o efeito da substância em células-tronco embrionárias humanas cultivadas em laboratório.
Essas células têm a capacidade de dar origem a diferentes partes do corpo durante o desenvolvimento. Nos testes, os pesquisadores observaram que a exposição à vanilina alterou esse processo, que ocorre nas primeiras etapas da formação do embrião.
Os efeitos dependeram da quantidade de vanilina utilizada. Em concentrações mais altas, a substância provocou a morte de parte das células. Em concentrações menores, as células perderam parte da capacidade de se transformar em diferentes tipos de células e começaram a seguir um caminho específico de desenvolvimento antes do esperado.
Os pesquisadores também identificaram um possível mecanismo para essas alterações. A vanilina ativou uma proteína presente nas células, chamada TRPV4, que participa do controle de sinais dentro da célula. Quando os cientistas bloquearam essa proteína, os efeitos observados com a vanilina deixaram de ocorrer.
O resultado chama atenção porque os cigarros eletrônicos utilizam diferentes aromatizantes para criar sabores, e a exposição a essas substâncias pode ocorrer durante a gravidez. A pesquisa, porém, não prova que a vanilina cause aborto, infertilidade ou problemas no desenvolvimento de bebês.
Isso porque os testes foram feitos apenas em células mantidas em laboratório. Ainda não se sabe se a quantidade de vanilina à qual uma gestante pode ser exposta ao usar um cigarro eletrônico alcança o embrião em níveis capazes de provocar os mesmos efeitos observados no estudo. Especialistas ouvidos pelo Science Media Centre destacaram justamente essa limitação.
Para os pesquisadores, os resultados servem como um alerta para a necessidade de investigar melhor os efeitos dos aromatizantes presentes nos cigarros eletrônicos, principalmente durante as primeiras fases da gravidez.
Fonte: Human Reproduction (Oxford University Press), University of California, Riverside e Science Media Centre.
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